Parma, Lucca e San Giminiano: um brinde à beleza

Tempo de leitura: 6 minutos

 

Em Parma, um glorioso Albana di Romagna DOCG

Em nosso roteiro de piqueniques na Europa saímos de Chamonix pelo Valle D’Aosta e entramos na Itália pela região de Ivrea, onde pegamos a auto-estrada em direção a Alesandria e Piacenza, cortando o Piemonte – veja o blog Nos Alpes, degustando bordeaux,

 

O objetivo de dormir em Parma tinha uma motivação familiar: minha mulher Marisa e Suzana, sua irmã, queriam rever a propriedade onde bisavô delas havia morado, antes de migrar para o Brasil.

 

 

Visitamos a tal casa, o enorme Duomo com os afrescos de Antonio Correggio, o belo Batistério e fotografamos, sem visitar, o Palazzo Pilotta, por causa das grandes filas. 

 

 

Compramos duas garrafas de vinho (um Colli di Parma e um Albana di Romagna, o único DOCG – Denominazione di Origine Controllata i Garantita da Emillia-Romagna), uma grande fatia do melhor queijo parmesão, quase meio quilo do famoso presunto de Parma para comer na viagem e pegamos a estrada porque pretendíamos dormir em Lucca. Como todos os demais hotéis do roteiro, o hotel de Parma, com acesso pela auto-estrada A1, havia sido reservado pelo portal booking.com e tudo “batia” com o que estava no portal.

Embora tivéssemos planejado passar o dia inteiro em Lucca, no meio do caminho – na altura de La Spezia – decidimos fazer nosso almoço em Portofino, cidade litorânea próxima de Gênova, para curtir um programa tipicamente de turista “remediado”: ver os iates dos milionários da temporada. Acertamos em cheio: os iates estavam lá e nosso piquenique – o segundo do roteiro – no cais de Portofino, com a garrafa do Albana di Romagna teve que ser complementado com outra garrafa de um vinho regional, um Golfo de Tigullio – aliás, muito bom.
 
 

Portofino é um dos mais chiques balneários da Itália, e o turismo vive da beleza da enseada, da harmonia das simpáticas casas pintadas em cores pastéis e da fama de lugar para ricos. E de algumas lendas, como a de que na Igreja de San Giorgio estão relíquias de um famoso matador de dragões. Ou a lenda da Abbazia di San Fruttuoso, onde seguidores deste santo, no século 3, teriam naufragado e foram protegidos por três leões – ou ainda pela estátua de bronze do Cristo degli Abissi, que repousa no fundo do mar azul-claro e que protege os pescadores. 

Não pudemos conferir nenhuma destas lendas, mas saímos de Portofino com a certeza de que viajar sem estar em grupos de “pacotes turísticos” realmente tem vantagens de flexibilidade.
Chiantis sem nome na noite de Lucca
 
Retomamos a viagem e fizemos uma parada em Carrara, onde visitamos uma das muitas minas de exploração de mármore –o carro ficou coberto de pó branco, como, aliás, a cidade inteira sempre está. Chegamos à noite em Lucca, e ainda tivemos energia pra fazer uma caminhada fora das muralhas à procura de um restaurante com bons vinhos chianti (estava muito cansado e não anotei os nomes das duas garrafas), antes de desabar na (macia) cama do hotel, onde pagamos 85 Euros por casal. Estávamos oficialmente na Toscana.
Lucca foi fundada pelos romanos em 180 A.C. e ainda guarda o traçado medieval – pelo menos dentro das muralhas maciças que protegem a parte velha. Em Lucca nasceram o compositor de óperas Giacomo Puccini e também Alfredo Volpi, artista emigrado para o Brasil com grande sucesso por aqui. E em uma cidadezinha da região nasceu Carlo Collodi, o criador do Pinóquio em 1883, razão pela qual um dos brindes para turistas com maior oferta é o simpático boneco esculpido por Gepetto, que espichava o nariz quando contava uma mentira.

Pizza com Lambrusco di Sorbara

No dia seguinte passeamos a pé pelas ruas, especialmente pela Piazza San Martino, com seu Duomo do século 11 e arquitetura românica, e fotografamos as igrejas San Frediano e San Micchele in Foro – e é claro, visitamos as lojinhas de Via Fillungo, onde almoçamos pedaços de pizza com uma garrafa de Lambrusco di Sorbara de 6 Euros. Visitei o Museu de Histórias em Quadrinhos, enquanto meus parceiros de viagem faziam incursões pelas ruas da cidade e compravam queijos, vinhos, frios – e pinóquios!
A surpresa de San Gimigniano
Nosso roteiro nos levaria a San Gimigniano, uma pequena cidade medieval (cerca de sete mil moradores), um dos lugares mais encantadores da Toscana, embora esta frase seja difícil de dizer. A distância é curta (uns 60 quilômetros), e por isto evitamos as rodovias de maior movimento, optando passear com calma pela região do Chianti. Onde, aliás, fizemos nosso terceiro piquenique, degustando queijos, frios e duas garrafas de vinho “locais”: um Vernaccia di San Gimigniano e um Brunello de Montalccino – ambos DOCG da Toscana. 
De longe dá para ver as torres do vilarejo, o que o diferencia de outras cidades medievais. As torres (são 13) foram construídas por famílias poderosas nos séculos 13 e 14, e a cidade foi preservada por causa da mudança das rotas de peregrinação do norte da Europa para Roma e pela Peste Negra de 1348. 

Embora não figure nos roteiros para brasileiros, é um vilarejo muito popular junto a europeus, especialmente alemães, suíços e ingleses (e vimos também muitos orientais), porque fica muito próximo de Siena. Passamos o dia todo caminhando pela cidade: visitamos o Palazzo Vecchio del Podestà, na Piazza del Duomo; a Igreja Collegiata do século 11 – cujo teto tem belas estrelas pintadas – e o Museo Civico, de onde poderíamos subir na mais alta das torres, o que discretamente deixamos para outra viagem…

Seguindo um padrão típico das atrações medievais européias, nas ruas centrais, especialmente na Via San Giovanni, lojinhas simpáticas e restaurantes atraentes são locais ideais para os turistas descansarem as pernas – e gastarem seu rico dinheirinho. Nós deixamos o nosso, bebericando um bianco de pitigliano, enquanto o sol se punha nas colinas toscanas da vizinhança.
Ficaríamos mais quatro dias rodando pelas colinas da Toscana e bebendo chiantis, super-toscanos e brunellos antes de ir para o lago di Garda e daí para Veneza – mas isto é outra história que vai estar em outro post – Lago di Garda, meia ópera em Verona – e vinhos locais. Por enquanto, um brinde, caro leitor.
(*) Rogério Ruschel rogerio@ruscheleassociados.com.br  – é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade, editor da revista eletrônica “Business do Bem – Economia, Negócios e Sustentabilidade” – http://www.ruscheleassociados.com.br/.Ruschel fez estes pique-niques europeus por conta dele mesmo.

6 Comentários


  1. Rogério o que faltava para nós simples mortais viajantes com discreto poder aquisitivo você nos presenteia.
    Ótims sugestões de vinhos e de locais encantados ,
    Beijão da Celina

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  2. Os enochatos são como os críticos literários: prolixos, rebuscados e…chatos. In vino viajas é deliciosamente despretencioso, verdadeiro e, como deveriam ser conhecedores de vinho e críticos literários, informativo. Pretendo brevemente checar tudo in loco rsrsrsrs. Parabéns! Grande abraço. Marco

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  3. Celina, muito obrigado. Temos que nos dar o direito de, quando em quando, usufruir um pouquinho da maravilha de estar vivios, não ted parece?
    Abs
    Rogerio

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  4. Marco, muito obrigado. Espero que você realmente vá checar tudo in loco – vai ver que é tudo verdade, mas o mais importante, vai descobrir outras verdades que se revelam só ao viajante. Temos que usufruir um pouquinho da maravilha de estar vivios, não te parece?
    Abs
    Rogerio

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  5. Obrigado, filho. Temos que nos dar o direito de, quando em quando, usufruir um pouquinho da maravilha de estar vivios, não te parece? E de se divertir fazendo bobagenzinhas como este bloguezinho…
    Abs
    Rogerio

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