Conheça Catania, na Sicilia, Itália – a cidade com arquitetura, arte, erupções e terremotos

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Segunda maior cidade da Sicília (320.000 habitantes) depois da capital Palermo, Catania nasceu como um porto e colônia grega no século VIII a.C. pelos calcideses. Por sua localização privilegiada (fica debruçada sobre o Mar Jônico em uma baía que permite abrigar barcos), ao longo do séculos foi ocupada por romanos, ostrogodos, bizantinos, árabes, normandos e outros povos. E cada um destes grupos deixou suas marcas e costumes na cidade e região.
Objeto do desejo de muitos invasores, Catania também sofreu com erupções do Etna tres vezes e foi parcialmente destruída por terremotos em 1169 e 1693. Desta história restaram importantes registros romanos como o teatro, reconstruído sobre outro grego que tem como data aproximadamente o V século a.C.. Também merece uma visita os restos do anfiteatro que data do IIo. século d. C., as termas do Indirizzo e a Rotonda (que atualmente é igreja de Santa Maria) e a necrópole romana e bizantina nos redores da praça Stesicoro.

Chamada de “cidade das artes”, Catania tem muitos palácios e igrejas barrocas escurecidas pela fuligem do Etna. Entre a arquitetura de interesse estão a Basilichetta (Século V–VI); de San Salvatore (Século VIII–IX; a Badìa di Sant’Agata e a igreja de Sant’Agata alla Fornace – San Biagio (Santa Ágata é padroeira da cidade); a igreja de  Santa Maria dell’Aiuto e dois prédios que visitei: o Duomo (do século XI, reconstruído no século XVIII – veja acima) e o Palazzo Ursino (hoje sede do Museu Comunale), construído por Federico II (1239-1250) mas logo depois modificado no século XVI (veja abaixo).

O simbolo da cidade é o elefante porque segundo uma lenda, elefantes de pedra eram colocados nas portas da cidade para assustar os invasores e o único que teria restado seria aquele colocado na “Fontana del Elefante” defronte ao “Palazzo dei Chiericci” (veja abaixo). 

Come-se bem em Catania, evidentemente, a começar pelas frutas, verduras e legumes produzidos no solo enriquecido por lavas ancestrais do Etna – fui conferir em uma feira livre, veja abaixo. Como cidade turística, Catania tem muitos hotéis e restaurantes de qualidade, nos quais pode-se comer frutos do mar, massas ou carnes com temperos especiais regados a um bom vinho Marsala ou um Etna, produzido na região.

Catania se situa aos pés do vulcão Etna e esta influência é visível na cidade. Foi destruída tres vezes pelo vulcão – nos anos 254, 1669, 1819 – e suas fachadas são escurecidas pela fuligem do vulcão. Além disso, depois do último terremoto (1689) foi reconstruída com as pedras negras da região do vizinho vulcão.

Da cidade se pode visitar o Parque do Etna, o maior vulcão ativo da Europa, que, com seus 3.329 metros de altura pode ser visto de longe. Graças à lava o solo da região é muito fértil e rico em minerais que valorizam plantações de pistaches, frutas e vinhedos que geram os vinhos tintos e rosés da denominação DOC Etna, produzidos a partir da uva Nerello, com um sabor bem diferenciado.
Pode-se chegar de carro a uma das muitas trilhas do Parque, mas a partir de certo ponto as visitas só podem ser feitas por guias e muitas vezes é proibido, como quando o vulcão “está em crise” ou no inverno. No parque está a Castanheira dos 100 Cavalos, da qual dizem que é a maior e mais antiga do mundo (com idade de 2000 anos) e que teria oferecido abrigo à rainha de Aragon (que reinou em Aragão, Espanha, entre 1137 e 1164) e sua cavalaria com 100 soldados durante uma tempestade.
De Catania peguei a bela auto-estrada A15 que atravessa a Sicília no sentido leste-oeste, passa por Enna e vai a Palermo e Monreale – cidades que você vai conhecer em outros posts, caro leitor. Por enquanto um brinde ao bom humor do vulcão Etna que ainda não conseguiu destruir Catania!

Este post é uma homenagem a Carlos Fioravanti, um dos mais premiados e globalizados jornalistas de ciência e tecnologia do Brasil, que prestigia In Vino Viajas como leitor assíduo.

(*) Rogério Ruschel é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade. Ruschel esteve na Sicília durante 30 dias, em 2005, pesquisando roteiros turísticos turísticos.
 

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