Maravilhas da arquitetura grega em terras italianas: Agrigento e Segesta, na Sicilia, Itália

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Rogério Ruschel (*)
A riqueza cultural e histórica da Sicília é tão surpreendente que na ilha italiana existem mais monumentos da Grécia Antiga do que na própria Grécia. Esta herança também se refere à cultura romana (como a casa romana mais bem conservada do mundo, em Piazza Armerina e se mostra mais exuberante no Vale dos Templos, em Agrigento, e em Segesta, onde está o tempo dórico mais bem preservado do mundo – todos tombados como Patrimônio Histórico da Humanidade pela UNESCO.

Segesta tem uma história de mais de 25 séculos. Fundada como Egesta por elimianos, povos oriundos de Tróia era uma cidade-estado em permanente conflito com a vizinha Selinunte e foi destruída por Cartago em 307 A.C., reconstruída, invadida pelo rei grego Pirro, do Épiro e Macedônia em 278 A.C. e finalmente rendeu-se aos romanos em 260 A.C., quando passou a se chamar Segesta e ganhou imunidade e liberdade, controlando um vasto território siciliano. 

Localizado em Calafatimi-Segesta, atual Província de Trapani, cerca de 70 quilômetros da capital Palermo, o templo grego de Segesta parece que foi construído “semana passada” e não no século 5 A.C e apresenta várias curiosidades. Implantado sobre o Monte Bárbaro perto do centro da cidade, o templo tem 6X14 colunas que não receberam acabamento, e mede 21 X 56 metros na base. Segundo especialistas, o teto nunca teria sido colocado e a estrutura teria ficado apenas nos pilares não trabalhados, provavelmente por causa da invasão por Cartago em 209 A.C. Não se sabe para qual divindade foi dedicado.

Outro fato que espanta os historiadores é que se trata de um templo grego construído em uma cidade cuja população (na época) não era grega. Embora o templo de Segesta seja a principal atração, o turista tem alguns “bônus”: na região foram encontradas ruínas de um castelo Normando do século XIII, de uma pequena igreja terninada de 1442 e dedicada a San Leone e de uma mesquita islâmica do século XII A.C., além de um anfi-teatro encravado na rocha, construído no século II A.C. durante um dos períodos de dominação romana (veja abaixo). Una grande confusione, catzo, uma extraordinária herança arquitetônica!

Agrigento

O outro grande templo grego da Sicília fica em Agrigento, uns 180 quilometros ao Noroeste de Segesta. Também uma cidade-estado poderosa, Agrigento foi fundada pelos gregos, conquistada pelos romanos em 210 A.C. e ao longo dos séculos foi ocupada por bárbaros, bizantinos e normandos. Agrigento é a terra natal do escritor e teatrólogo Luigi Pirandello (Prêmio Nobel de Literatura de 1934), cujo Museu você pode visitar (veja abaixo), e denominada pelo poeta grego Píndaro “a cidade mais bonita dos mortais”.

 
A grande atração turística aqui é o Valle dei Templi (o Vale dos Templos, foto abaixo), um conjunto de templos romanos e gregos com mais de 25 séculos, parte obrigatória de qualquer visita à Sicília – até mesmo daqueles roteiros de poucos dias na ilha inteira.

A sensação é estranha: em uma área de uns 15 quilometros quadrados convivem pelo menos 18 ruínas de templos, igrejas, oratórios, necrópoles, aquedutos e santuários gregos e romanos, como os templos de Castor e Pólux, de Hércules, de Zeus, de Esculápio, de Vulcano – e o Templo da Concórdia, o mais bem preservado de todos, construído pelos gregos que teria sido utilizado como igreja cristã nos tempos romanos (veja abaixo).

O tempo tem outra dimensão aqui: você passeia pelo site histórico e ao caminhar 500 metros pode sair de um templo grego do Séc. 3 A.C. e chegar em um templo romano de 4 séculos depois.  Em Agrigento você passa por um túnel do tempo, conhecendo culturas diferentes separadas por vários séculos de história! 

Se você tiver tempo (e espero que tenha!), passe pelo menos meio-dia no centro histórico de Agrigento, onde estão 14 igrejas interessantes. Visite pelo menos a Catedral e Museu Diocesano e a Piazza Vittorio Emanuele, um bom lugar para almoçar. Quando estive lá visitei a propriedade da Vinícola Morgante, na região de Grotte, onde são produzidos vinhos finos da casta Nero D’Avola. Naquele ano o tinto Don Antonio havia recebido 90 pontos da revista “Wine Spectators e 92 pontos da revista “The Wine Advocates” que o considerou o melhor Nero d’Avola do mundo. 

E se for na alta temporada talvez valha a penas dar um pulo às Ilhas Pelagio (uns 180 quilometros de Agrigento), a meio caminho da Sicília (Europa) e a Tunísia (África), perto de Malta, para conhecer Lampedusa e provar seus frutos do mar. Este post é dedicado a Maria Aparecida Martins, a Cida, que me honra com sua leutira e divulgação; ela adora Portugal mas tenho certeza de que não desgosta da Sicília.

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(*) Rogério Ruschel é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade. Ruschel esteve na Sicília durante 30 dias, em 2005, pesquisando roteiros turísticos turísticos.

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