Gruyère: queijos, um vilarejo encantado e um museu de arte com alienígenas

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Rogério Ruschel (*)
Meu caro leitor ou leitora, provavelmente você já ouviu falar do queijo Gruyère, um dos mais conhecidos e consumidos queijos suiços, ao lado do Emmental, Raclette, Sbrinz, Tilsit e Vacherin Mont’d’Or. E queijo suíço obviamente é fabricado com leite de vacas suíças (como as que aparecem nesta fazenda, abaixo) – o mesmo leite com o qual os suíços fazem chocolate – o que já funciona como certificação de origem.
Pois este queijo é fabricado especialmente em Gruyères, minúsculo vilarejo de fala predominante francesa no Cantão de Friburgo, com cerca de 1.700 moradores – e também nos cantões de Vaud, Neuchâttel, Jura e Berna. O Gruyère é um  queijo duro, com sabor forte (especialmente os mais maduros, que podem descansar durante até 18 meses), com textura granulosa, densa e compacta, podendo ser mais cremosos nos produtos mais jovens, com até 8 meses de descanso. Veja a tabela de amadurecimento na foto abaixo.
Os queijos mais maduros apresentam até um certa sensação de que têm pequenos grãos de areia (desculpe) no meio da massa. A casca é dura, seca e de cor castanho-escuro, tipo assim, ferruginosa, e o sabor no primeiro contato com a boca é levemente frutado, mas permanece na boca com um leve sabor de nozes. Enfim, uma delícia. Mas para chegar a esta delícia, eles ficam descansando (amadurecendo) em câmaras com temperatura controlada, como na foto abaixo.
Pode-se comer o queijo Gruyère normalmente, aos pedaços, escolhendo a idade do mesmo, ou, como a especialidade da La Maison de Gruyères, o maior restaurante da comunidade, flambado, com ou sem incrementos ou acessórios como pães, nozes, carnes, embutidos de qualidade (na foto abaixo uma receita com bacalhau…)
Visitamos uma fábrica, minha filha Renata e eu, e degustamos todos os tipos, com todos os acompanhamentos possíveis – incluindo pequenas provas com vinhos tintos e brancos de quase todas as denominações suíças: Chardonne, Saint-Saphorin, Calamin Grand Cru, Epesses, Dézaley Grand Cru, Vevey-Montreaux, Villette e Lutry. Mas isto foi depois de visitar o vilarejo que fica no alto de uma colina encimada por um castelo – o Castelo de Gruyères, claro.
A cidadezinha de Gruyères é uma aldeia medieval encantadora com mais de 1.000 anos e atrai milhares de turistas baseado em duas atrações (além do queijo): o cenário lindo e tranqüilo e a obra do artista gráfico suíço Hans Rueder Giger, nascido em Chur, naquela região. Vamos começar pelo cenário: imagine pequenas casas simpáticas centenárias transformadas em bares, restaurantes e lojinhas em uma rua com forte apelo turístico, aos pés de um castelo com mais de 800 anos e tendo ao fundo montanhas suíças com neve eternatudo verde (pelo menos na época do ano que visitei, porque em outras é tudo branco…). As fotos abaixo dão uma ideia do que estou querendo dizer.
A outra atração é a obra do artista gráfico suíço Hans Rueder Giger. Sim, você o conhece: tido como um dos expoentes modernos do surrealismo e da arte fantástica, HR Giger tem obras badaladas de ultra-realismo como “Birthmachine”, dos anos 70, toda de alumínio e com 2 metros de altura (veja na foto abaixo, com o autor), que está na fachada do Museu (foto mais abaixo). Mas passou a ser cultuado (e copiado) globalmente como artista pop quando criou cenários e personagens de um dos mais conhecidos filmes de terror da história de Hollywood, para o filme “Alien” que lhe rendeu um Oscar de Melhores Efeitos Especiais.
O criador dos aliens tem um museu na cidade e um bar muuuuuito louco, onde tudo é desenhado e construído com seu inegável talento: paredes, mesas, luminárias, o balcão, caixa do telefone, a roupa dos garçons e até mesmo alguns equipamentos típicos de um bar. Veja nas fotos abaixo parte da obra neste bar, com minha filha Renata para dar a dimensão de uma das paredes,  detalhes originais nos pés de uma mesa e o bar.
Infelizmente não deu para visitar o Museu HR Giger (veja fachada, na foto abaixo) porque estava em manutenção enquanto suas obras estavam em museus do mundo inteiro.
Vale a pena visitar também o Castelo de Gruyères, que domina a aldeia medieval. Com mais de 800 anos de história, foi a residencia de 19 Condes de Gruyères até que em 1938 o estado de Friburgo o adquiriu e transformou em Museu.
O edifício principal foi modificado por volta do século XVI no estilo renascentista e o interior ainda mantém estilos barrocos dos séculos XVII e XVIII decorados por paisagens românticas e cenas históricas pintadas por J.B. Corot, Barthélemy, Menn e outros artistas menos famosos. No castelo também são montadas exposições de obras de arte fantástica e espetáculos mais modernos.
 Enfim, caro leitor, aí está um pedaço insuspeito da Suiça que imaginamos. Gruyères fica a cerca de 120 quilometros de Genebra e a estrada – pelo menos na primavera ou verão – é simplesmente maravilhosa. Um brinde a isso, caro leitor!
(*) Rogério Ruschel rogerio@ruscheleassociados.com.br  – é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade. Ruschel viajou a Gruyères com a filha Renata por conta dele mesmo.

 

 

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