Um brinde a Horácio Barros, o pai da maior viagem de enoturismo do mundo

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Por Rogerio Ruschel (*)
Horácio Morais Barros é mineiro, engenheiro e aposentado. Como é consultor e autor de livros e CDs sobre vinhos, decidiu conhecer pessoalmente algumas regiões vinícolas. Mas do seu jeito. Ao fim de dois anos de planejamento a idéia se transformou no projeto Wine World Adventure: uma volta ao mundo do vinho em 170 regiões vinícolas de 24 países conhecendo mais de 700 vinícolas, durante 30 meses, com mais de 100.000 kms percorridos em um motor-home. No motor-home estão dois filhos: Pedro e Natália. A viagem começou em janeiro de 2011 e deve durar até junho de 2014.

 

Acompanhe o percurso deles pelo site http://www.wineworldadventure.com/ou aqui,  porque o In Vino Viajas vai publicar posts com alguns dos melhores destinos de enoturismo desta família que está fazendo a maior enovolta ao mundo.
No post de hoje publicamos a primeira parte de uma entrevista exclusiva com Horácio. Veja a seguir.
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In Vino Viajas – Como e porque surgiu a idéia da viagem?
Horácio – A ideia da viagem surgiu no final de 2009, dois anos antes da partida, que ocorreu em 01 de janeiro de 2012. Ela surgiu quando eu, professor e consultor de vinho como hobby e engenheiro de profissão estava pronto para aposentar, após 35 anos de trabalho em uma siderúrgica mineira. A ideia inicial era passar um ano estudando e visitando vinícolas na França e Itália, dois dos principais produtores de vinhos do mundo. 

Pedro, o Curuma

Depois de conversar com meu filho, Pedro Henrique, fotógrafo profissional e formado em Publicidade e Comunicação Social ele me entusiasmou a aumentar o projeto. Então, partimos em conjunto para detalhamento do projeto, eu na parte técnica com relação ao tema vinho, definição da rota básica, países a serem visitados. E, Pedro elaborando um “book” para apresentar o projeto de mídia para o meio empresarial. Foram meses de trabalho definindo as regiões vinícolas a serem visitadas, fazendo o levantamento das vinícolas, lista de contatos, cartas de apresentação em várias línguas.
Natalia, a camera-woman

 

Minha filha Natália entrou no projeto cerca de 6 meses antes da partida, pois necessitávamos de mais uma pessoa para realizar a filmagem. E ela que nunca tinha manuseado uma câmera partiu para um curso intensivo e hoje está dominando a arte de filmagem. Após muita luta conseguimos a aprovação da empresa IVECO de nosso projeto, e ela tornou-se nosso patrocinador principal. A IVECO entrou com a fabricação do Motor-home e apoio de manutenção do carro com suas concessionárias espalhadas pelo mundo. Coincidentemente, dos 24 países de nossa rota, o Grupo IVECO tem fábricas e concessionários em 18 deles. Conseguimos também apoio de outras empresas, entretanto grande parte dos custos como combustível, alimentação, transporte marítimo estão sendo bancados por mim (Nota do editor: o custo total do projeto está estimado em R$ 560.000,00)

Mapa resumindo os trechos de transporte marítimo do motor-home

In Vino Viajas – Qual o melhor aprendizado em termos de crescimento pessoal para cada um de vocês?
Horácio – O aprendizado é enorme. Primeiramente, a convivência em um espaço de 27 metros quadrados, (morávamos em uma casa ampla, com quase 500 metros quadrados). Segundo, não tínhamos nenhuma experiência em Caravanismo, e eu nem sabia dirigir um veículo de grande porte. A convivência durante os primeiros 13 meses de viagem foi tranquila, logicamente algumas divergências ocorreram devido a diferença de idades, eu com 62 anos e meus dois filhos, Pedro, com 26 anos e Natália, com 28 anos. 

 

São várias vertentes de crescimento pessoal. Poderia destacar o conhecimento da cultura de cada país. Saber se adaptar as regras vigentes em cada país nos tornou pessoas mais flexíveis e maleáveis. Também como a cada dois ou três dias necessitávamos elaborar textos, preparar fotos e vídeos, funcionamos como uma mini-empresa, com reuniões matinais. Aprendemos também a dividir as tarefas tanto da casa  quanto do motor-home – encher tanques de água, descarregar esgoto de resíduos, etc. Nos três primeiros meses de viagem ficamos um pouco perdidos. Mas, como dizem os argentinos, “despacito” fomos “arreglando las cosas”. Hoje estamos ajeitados e tudo funciona muito bem. Outro grande aprendizado é que decidimos estudar em conjunto várias línguas. Compramos livros e CDs para estudar francês e italiano. Cada um ajudando o outro. Isto nos uniu mais.

 

In Vino Viajas – Uma vida em motor-home requer disciplina; como todos estão agüentando?
Horácio – Sim, viver em um motor-home é necessário ter disciplina, métodos e não deixar de fazer as coisas em cada momento. Por exemplo, se terminou o gás deve-se fazer a troca imediata; terminando o nível de água nos reservatórios é necessário anteceder e convencer os proprietários de postos de combustível a ceder um pouco de água. 

 

Organização é essencial pois o espaço é muito pequeno. Todos os objetos têm o seu devido lugar, e é preciso sempre voltá-los pro mesmo lugar imediatamente após o seu uso pra evitar a bagunça. No início foi difícil mas depois fomos nos acostumando e nos organizando melhor.  Acho que Pedro e Natália estão aguentando por causa da recompensa: conhecer lugares maravilhosos, aprender e viver novas experiências.
Veja aqui no In Vino Viajas outros posts com a segunda parte desta entrevista com o Horácio e com destinos de enoturismo da maior enovolta ao mundo, preparados pelos viajantes da Wine World Adventure. Acompanhe o percurso diário deles pelo site
(*) Rogerio Ruschel, editor deste blog é jornalista, consultor especializado em sustentabilidade e admira muito o trabalho do Horácio Barros e familia.

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