Conheça o Templo do Sol do Império Inca em Ingapirca, no Equador, onde a existência do mundo era festejada com o vinho dos deuses

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogério Ruschel (*)

Alem dos três belos sítios declarados como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e mais conhecidos internacionalmente (as ilhas Galápagos, o Centro Histórico de Quito e a cidade de Cuenca), o Equador tem pelo menos mais quatro atrações de primeira classe: a viagem de trem no topo dos Andes (veja um post já publicado aqui no In Vino Viajas), o roteiro dos vulcões, os tesouros da Amazônia e as ruínas da cidade inca de Ingapirca.

Nesta reportagem vamos apresentar Ingapirca (em kichwa “ingapirca” quer dizer “parede inca”), um dos mais importantes vestígios pré-hispânicos das Américas, e certamente do Equador.

Ingapirca é um registro arqueológico do século XV de uma comunidade inca com um templo em forma elíptica construido em torno de uma grande rocha – o Templo do Sol – que não existe em nenhum outro sitio arqueológico andino.
O estado de conservação das ruinas é muito bom e seguem muito bem cuidadas pelos autoridades culturais da Provincia do Cañar, onde estão localizadas.
Segundo especialistas, os incas impuseram a Ingapirca as regras dos demais centros cerimoniais e administrativos do Império Inca, bem como as técnicas e sistemas construtivos encontrados em Cuzco e vistos em vários sitios construídos também no século XV, como Machu Picchu, no Peru.
As paredes dos prédios e muros são feitas com pedras cortadas, raspadas e alisadas para encaixe perfeito. Os tetos foram construídos com estrutura de madeira com um grau de inclinação de 50 graus, completados por adobe e um palha de páramo foi usada como cobertura.

O conjunto é formado por 7 unidades prediais adaptadas à topografia, com templos, praça cerimonial, prédios de interesse comunitário, armazéns, currais e residências.

Segundo os arqueólogos e historiadores, no Templo do Sol eram realizados muitas cerimônias e festivais religiosos, sempre acompanhados por uma poderosa bebida fermentada – aliás, como em qualquer outro lugar do mundo, também nos Andes os monges, sacerdotes ou religiosos é que tinham sabedoria para desenvolver cervejas, cachaças ou vinhos… Os Incas construiram Ingapirca sobre as ruinas de outro povo ancestral, os cañaris, que tinham construido no local a capital Sul de sua nação, uma comunidade com o nome Hatum Cañar.

Os canaris têm uma tradição oral na qual falam de um grande dilúvio (o mesmo que aparece na Biblia e em outras culturas) que afogou todos os mordadores, exceto dois irmãos que se refugiaram no topo do monte sagrado Huacayñan. Segundo o mito, os irmãos foram alimentados por duas araras com rosto de mulher com quem casaram (?) e tiveram extensa descendência, gerando a raça cañari – descendência que acabou com a dominação dos Incas.

Seja ou não verdade, o que importa é que visitar Ingapirca faz muito bem para o espirito. Não estive em Machu Picchu, mas segundo consta o “estado de paz interior” é o mesmo nos dois sitios arqueológicos.

 Um brinde a isso com uma taça de vinho equatoriano produzido com a uva Nacional Branca ou a Nacional Negra, com as cepas crioulas Isabella, Niágara e Concord, tomada em um restaurante na encantadora cidade de Cuenca, uma das maravilhas do Equador.
Veja neste blog outros posts sobre o Equador.
(*) Rogério Ruschel é jornalista e consultor especializado em sustentabilidade e esteve no Equador a convite do Ministério do Turismo daquele país.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *