O Julgamento de Paris faz 41 anos: veja como uma degustação mudou o mundo dos vinhos

Tempo de leitura: 5 minutos

Meu prezado leitor ou leitora, estou atualizando este post que publiquei em junho de 2013, agora que em 2017 estamos comemorando 41 anos  do Julgamento de Paris. O sucesso do Napa Valley e dos vinhos da Califórnia vem crescendo desde este evento de tal maneira que se tornou fundamental para a economia da região e dos Estados Unidos e mudou o mapa do negócio do vinho no mundo. Veja só: produtores de vinho, hoteleiros, restauranters, guias, lojistas, gestores públicos e milhões de norte-americanos participantes de cerca de 60 setores da economia comemoram o faturamento de R$ 4,5 bilhões (US $ 1,27 bilhões) deixados por turistas no Napa Valley em 2015. Os visitantes suportaram a geração de 13.680 empregos e geraram US$ 116 milhões em receitas fiscais (R$ 412 milhões) para a Califórnia. Será que o evento foi importante? Comemoremos!

Por Tânia Canadá (*)

Olá amigos de Bacco, há alguns dias fui convidada pelo meu amigo jornalista Rogerio Ruschel a escrever sobre o tema Julgamento de Paris; então seguem minhas observações sobre o acontecimento, dicas dos vinhos a serem degustados e alguma coisa sobre o famoso filme que vale a pena ser visto.
Em 1976 o inglês Steven Spurrier, um apreciador de vinhos e dono de loja de vinhos em Paris, decidiu fazer uma prova de vinhos da Califórnia (Região de Napa Valley) contra os vinhos franceses, já esperando que os vinhos franceses superassem de longe os vinhos da Califórnia. Afinal na década de 70 os vinhos californianos ainda não eram conhecidos mundo afora, ele aceitou essa ideia de uma amiga e funcionária de sua loja, acreditando também que teria um aumento em suas vendas de vinhos franceses. Porque Califórnia? Aquele era o ano do bicentenário da independência americana e como sabemos, a França e os EUA tem uma longa história nesta luta.
Em visita as poucas vinícolas de Napa Valley na época, o britânico ficou encantado com alguns rótulos degustados, comprou algumas garrafas e convidou alguns dos proprietários das vinícolas para uma viagem a França para acompanharem o evento de degustação (ocorrido em 24/05/76) que seria feita às cegas por alguns profissionais renomados do setor. Como nem todos os proprietários das vinícolas americanas tinham condições de viajar a França, os mesmos se reuniram e escolheram um representante que falaria em nome das vinícolas de Napa Valley. Veja abaixo uma cena do filme.
Na degustação em um Hotel no centro de Paris, foram reunidos os rótulos de Napa Valley  (branco Chardonnay e tinto Cabernet Sauvignon) e os Franceses  escolhidos um a um por Steven Spurrier, o Château Haut-Brion (representando a uva Cabernet Sauvignon) e o Puligny-Montrachet Les Pucelles -Domaine Leflaive’s (representando a uva Chardonnay). 
Lacrados e demarcados para a escolha do melhor vinho, a ordem dos vinhos foi entregue ao Sr. George M. Taber, que foi o único jornalista que aceitou cobrir o evento (na época Steven, convidou vários jornalistas para o evento, mas todos recusaram). Em 2010 a cena do filme na qual os jurados descobrem que os vencedores não foram os franceses, foi pintada por Gary Myatt – veja abaixo.
Os convidados seriam o Sr. Aubert de Villaine, proprietário do Domaine la Románee – Conti, Odete Kahn, editora da Revista Le Revue du Vin de France, alguns sommeliers de restaurantes renomados da época e o jornalista George M. Taber.

Para surpresa de Steven Spurrier e de todos os profissionais, o vinho branco vencedor da degustação foi o Chateau Montelena de Nappa Valley  e o tinto vencedor também foi um californiano, o Stag’s Leap Wine Cellars. (Abaixo, residência em Spring, Califórinia).

Segundo relato de George M. Taber houve uma discussão geral, os profissionais não conseguiam acreditar que tinham escolhido os vinhos californianos.
O evento teve tal repercussão que colocou os vinhos californianos na carta de inúmeros restaurantes e lojas no velho e no novo mundo. Algo irreversível tinha ocorrido. O mapa do mundo dos vinhos tinha mudado a sua geografia e nunca mais seria o mesmo. Pouco tempo depois uma garrafa do Chateau Montelena vencedor passou a fazer do acervo do Smithsonian Museum (que fica em Washington, DC).
 
30 anos depois, a Califórnia ganhou de novo
Em 24/05/2006, 30 anos após e famoso Julgamento de Paris o britânico e proprietário de Loja Steven Spurrier decidiu repetir a famosa degustação. Ela foi feita em Londres e na Califórnia simultaneamente e com os mesmos vinhos, com profissionais escolhidos de cada região, e para surpresa geral novamente a Califórnia venceu a competição com o vinho tinto Ridge Monte Belo. (Vinhedos em Napa Valley, abaixo).

Dicas
 O Famoso Chateau Montelena (Ganhador de 1976) é comercializado no Brasil pela Smartbuy Wines. Eles possuem o branco e o tinto (safra 2010), preço bem salgado na faixa de R$ 400,00 a garrafa.
O Ganhador de 2006 o tinto Ridge Monte Belo e comercializado no Brasil pela Mistral, preço nas alturas na faixa de R$ 750,00.
O Filme Julgamento de Paris (Bottle Shock, no original em inglês) foi lançado em 2008, no Festival de Sundance, e o diretor é Randall Miller. Um filme leve, divertido e livremente inspirado no histórico evento, é perfeito para assistir acompanhado de uma taça de vinho. Lazer  prazeroso, fácil de encontrar em locadoras ou na Netflix.
O britânico Steven Spurrier, esteve algumas vezes no Brasil nos últimos anos, e degustou alguns dos nossos melhores vinhos. Será que em breve teremos uma nova degustação as cegas Brasil/Napa Valley/França? É esperar e torcer para ver. Sem nenhuma dúvida nossos espumantes do Vale Gaúcho (Vale dos Vinhedos) seriam bons representantes para o nosso país.
(*) Tânia Canadá é sommelière e coordena a Confratia 4 Est – contatos: taniacanada@gmail.com – Confraria: http://www.facebook.com/groups/196456527096203/

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *