Conheça o CERN, o acelerador de partículas de Genebra que acelerou sete Premios Nobel – o mais recente, semana passada

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)
Sei que visitar o CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), em Genebra, Suíça, não é o tipo de turismo para se fazer todos os dias. Concordo que existem centenas de atrações turísticas mais interessantes, bonitas, badaladas e interessantes na Europa do que visitar um centro de pesquisa e laboratório de Física. Mas hoje é seu dia de sorte porque eu visitei o CERN e você vai conhecê-lo em apenas alguns minutos – e ainda vai ver algumas fotos futuristas do show-room, como esta aqui acima.
O trabalho do CERN está na mídia porque o trabalho de aceleração de partículas realizado lá nos últimos 55 anos permitiu a comprovação prática da teoria da existência dos “Bósons de Higgs”, e com isso proporcionou um prêmio Nobel de Física para dois cientistas, anunciado esta semana. Mas o CERN já estava ligado ao Premio Nobel de Fisica por outros laços: 3 físicos já receberam Prêmio Nobel por trabalhos realizados lá dentro (em 1959 e 1984), e outros tres pesquisadores que trabalharam no CERN também foram indicados para o Nobel em 1952, 1976 e 1988.
O “Bóson de Higgs” é a partícula que torna possível a existência de tudo e de todos, porque funciona como uma espécie de cola para formar a matéria e porisso mesmo é também chamada de “partícula de Deus”. Os cientistas Peter Higgs (ingles) e François Englert (belga) em 1964 fizeram estudos separados sobre o assunto e tiveram que esperar 48 anos para ver a comprovação de sua teoria. Veja acima uma pintura artística de Higgs, o “pai” do bóson).
O CERN é o segundo mais importante centro de pesquisas de Física do mundo – o primeiro é o laboratório central da NASA, nos Estados Unidos. Criado em 1954 tem 20 Estados membros (o Brasil não é associado), cerca de 2.400 funcionários e mais de 11.000 cientistas e pesquisadores de 580 universidades e centros de pesquisa de 80 nacionalidades (Acima, aspecto do show-room e abaixo, prédios coloridos da cidade científica localizada parcialmente na Suiça e parcialmente na França)
Em seis aceleradores como o da foto abaixo, os cientistas aumentam a energia do feixe das partículas; prótons são acelerados em uma velocidade gigantesca (em apenas um segundo, fazem 11.000 voltas em um circuito de 27 quilometros no acelerador principal, o LHC) e chocam-se entre si. Analisando os dados das colisões, os cientistas chegam a diversas conclusões.
Visitando o CERN descobri que este laboratório fez também importantes contribuições na área de Tecnologia da Informação: no CERN foram desenvolvidas ou melhoradas tecnologias como o “roller ball”, o mouse e a tela touch-screen. Mas o mais importante: foi lá que nasceu a World Wide Web. Seu criador, Tim Berners-Lee em 1980 era consultor de engenharia de software no CERN quando propôs a criação do primeiro programa para armazenamento de informação, chamado Enquire. A Web funcionou primeiro dentro do CERN e no verão de 1991 foi disponibilizada mundialmente. Veja abaixo o primeiro servidor do mundo, e na vitrine da segunda foto dá para ver parte do esquema da www proposto por Berners-Lee.
Os visitantes podem fazer passeios guiados (em inglês ou francês) e conhecer dois núcleos museológicos: o espaço mais antigo, de baixa tecnologia, com exposições temporárias denominadas “A aventura continua” e a exibição permanente “Universo de Partículas”, uma espécie de show-room de alta tecnologia dentro do Globo da Ciiencia e da Inovação, uma colossal redoma de madeira, metal e vidro, inaugurada em 2004 – veja abaixo.
Na mostra “A aventura continua” o visitante tem informações bem simples e objetivas sobre mistérios da natureza como a gravidade, o átomo, as particulas atômicas, a constituição da matéria e do Universo, com muitos cartazes, fotos, banners e alguns equipamentos antigos. Esta seção é feita mesmo para estudantes: simples, objetiva, lúdica quando possivel e com legendas em quatro idiomas.
Já no “Universo de Partículas” a história é outra. A iluminação varia de totalmente clara a clusters coloridos: lâmpadas azul, vermelho ou verde e uma música apoteótica criam uma atmosfera de mistério.
Informações sobre o trabalho do CERN são apresentadas em equipamentos modernosos como cadeiras com microfones (as “Secret dimensions”, veja acima); globos futuristas gigantescos que giram como roller-balls de computador (como o globo de neutrinos, abaixo) e projeções nas paredes e no teto.
Como tudo fica escuro as fotos não ficam boas – na verdade eles proibem tirar fotos a partir de um determinado momento do programa. É fácil, econômico e agradável chegar no CERN de transporte público porque em Genebra tudo funciona como um relógio suiço. E se você quiser andar por lá (e tiver permissão), poderá alugar uma bicicleta como estas abaixo.
Um brinde a isso – tim tim.
* Rogerio Ruschel é jornalista e visitou o CERN porque acredita que informação de qualidade também é cultura.

5 Comentários


  1. Olá Alana, obrigado pela visita. Brasileiros não podem visitar o acelerador de particulas do CERN porque nosso pais não é sócio do projeto – nem jornalistas. Você precisa visitar o site para ver qual a politica adotada com cidadãos portugueses. O site é http://home.web.cern.ch/ O CERN fica dentro de Genebra, você pode ficar hospedada em Genebra e ir ao CERN com onibus de alta qualidade; é rápido e facil. Mesmo que não consiga visitar o acelerador de particulas, voce pode visitar estes museus que eu apresentei no blog, a vbisitação é livre e partse dela é grátis. Mas não tente ir sem se informar sobre horários e condições. Boa viagem.

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