Um brinde com Gewurtztraminer no Haut-Koenigsbourg, o espetacular castelo do duque Zarolho na Rota do Vinho da Alsácia

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

No alto de um vale fértil da Alsácia, no nordeste da França, a menos de 40 quilometros da fronteira com a Alemanha, próximo da cidade de Sélestat, debruçada sobre o Rio Reno e a Rota do Vinho, se ergue majestosa a montanha do Stophanberch, com 755 metros.
Bem no alto desta montanha Frederico de Hohenstaufen, duque da Suábia, apelidado de “O Zarolho”, construiu um pequeno castelo no século XI para ficar na encruzilhada de duas importantes rotas comerciais da época: as rotas do trigo e do vinho (de Norte para Sul) e do sal e da prata (de Oeste para Leste).
Pois o castelinho do duque Zarolho foi ganhando uns “puxadinhos” e é hoje é um castelão – o Castelo Haut-Koenigsbourg, um dos mais populares monumentos da França, recebendo cerca de 600 mil visitantes por ano – e uma das grandes atrações da parte Norte da Rota dos Vinhos da Alsácia. Fica no vilarejo de Orschwiller e tem uma história de 800 anos: o primeiro registro é de 1146, com o nome de Castelo Castrum Estuphin; foi propriedade dos Habsburgos e dos Tierstein; foi pilhado e incendiado durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e abandonado em ruínas por mais de dois séculos, até ser restaurado pelo Imperador alemão Guilherme II quando a Alsácia foi anexada à Alemanha em 1871.
Já restaurado, finalmente passou a ser propriedade do governo francês em 1919, com o Tratado de Versalhes. Hoje é um dos mais imponentes castelos europeus, um modelo internacional de restauração e de operação turística com sustentabilidade.

 

Em seus tres pisos e no jardim medieval de inverno pode-se fazer uma bela viagem no tempo. A arquitetura e o modo construtivo são interessantes até mesmo para quem não é arquiteto, com paredes gigantescas, escadas sinuosas, estruturas de madeira criativas, portas enormes (algumas originais), pequenas janelas com vista surpreendente para os vinhedos do vale, seteiras e amuradas, corredores estreitos, pequenas passagens aéreas, portinhas minúsculas para passagens subterrâneas (veja fotos abaixo) tudo isso com pinturas, esculturas e outras manifestações artísticas.
Operando como um museu aberto, permite que o turista veja um pouco da vida medieval através da mostra do mobiliário de quartos e salas – com belíssimos armários, baús, fogões e aquecedores de cerâmica; o trabalho de ferreiros e cozinheiros e o arsenal – uma coleção de armas, armaduras, escudos, espadas e lanças. Na alta temporada o turista pode até mesmo viver a vida medieval, circulando entre atores que representam pequenos esquetes dentro do castelo!
Para relaxar tem a tradicional lojinha de souvenirs (com livros, brinquedos, maquetes, mapas, guias, etc.), uma lanchonete, um restaurante e um salão de chá para grupos. Durante o verão e primavera uma varanda ligada ao restaurante fica aberta oferecendo uma vista sensacional dos vales com vinhedos da Alsácia. Estive nesse restaurante com minha filha e bebemos um glorioso crémant da Alsácia, um espumante que é uma das tres DOCs (Denominações de Origem Controlada) da região vinícola, harmonizado com queijinhos franceses locais.
O castelo inspira artistas, músicos e escritores. Dois filmes foram rodados lá: o primeiro, no fim dos anos 1930 por Jean Renoir, chamado “A Grande Ilusão”, com foco pacifista, considerado um clássico pelos franceses; e em 1956 o diretor Jacques Becker filmou “As aventuras de Arsène Lupin”, um personagem francês muito divertido. Dizem também que o castelo inspirou John Howe, o designer de cenários da trilogia “O Senhor dos Anéis” de Peter Jackson e que o diretor japones Hayao Myasaki teve ali a inspiração principal para sua premiada animação “Howl’s Moving Castle’. De qualquer maneira é um lugar de cinema, mesmo!
O castelo fica bem no coração da Rota do Vinho da Alsácia, não deixe de visitar. O estacionamento é um pouco longe e você vai ter que encarar uma ladeira até o portão de entrada, a fila que se forma e depois as centenas de degraus por todo o castelo. Mas vale a pena porque afinal é um castelo medieval, e um dos mais bem conservados do mundo! E se você se lembrar das minhas dicas, sente na varanda do restaurante e peça um crèmant da Alsácia ou um delicioso Gewurtztraminer – tim-tim.
Saiba mais sobre a Alsácia em http://www.invinoviajas.com/2012/12/alsacia-um-convite-beleza-e-ao-sabor/
e em http://www.invinoviajas.com/2013/01/os-vinhos-da-alsacia-uma-arte-de-2000
 
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo, percorreu uma parte da Rota do Vinho da Alsácia e quer voltar para fazer tudo de novo.

 

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