Jardim de Luxemburgo, Paris: a obra de arte da rainha francesa que teve um ataque imperial de saudades de Florença

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu caro leitor ou leitora, vamos fazer um passeio no Jardim do Luxemburgo, o maior parque público de Paris, com quase 230.000 m². Localizado no 6º arrodissement, o Jardim do Luxemburgo atualmente pertence ao Senado da França que funciona (será que funciona?) lá dentro.

O jardim é uma enorme área verde no coração de Paris (veja abaixo), é cercado por prédios bacanas e possui vários setores, muitos parterres (nome que os franceses dão a seções de jardins delimitados por cercas ou sebes baixas), dezenas de estátuas, pequenos lagos, um pequeno teatro de fantoches, um pomar, um restaurante (o Pavilhão da Fonte, abaixo) e uma área de produção de mel de abelhas. No outono fica com aquela cor de Europa com saudades, veja abaixo!
O Jardim surgiu a partir de um ataque de saudade imperial. Explico. Em 1611 Maria de Médicis, de origem italiana, viúva de Henrique IV e mãe de Luis XIII, estava cansada de morar no Palácio do Louvre e com saudade de casa – a Toscana italiana. Decidiu então fazer um palácio que fosse uma réplica do Palácio Pitti, aquele palácio renascentista de Florença que durante muito tempo no século XV foi residência dos Médicis italianos, parentes desta rainha francesa. (veja foto abaixo o Palacio Pitti e logo abaixo fotos do Luxemburgo).
Ao lado do Palácio, Maria de Médicis mandou plantar 2.000 olmos –árvores enormes que podem atingir até 30 metros – e mandou um jardineiro recriar os jardins que ela conhecera quando crianca em Florença, na Itália. Em 1625 a rainha se instalou no Palácio ainda em obras, e em 1631, quando o palácio ficou pronto – por ironia do destino – a rainha foi expulsa da corte, quando sua tentativa de derrubar o Cardeal Richelieu não deu certo. Veja abaixo uma planta do Parque e um olmo “em fase de crescimento”.
O Palácio do Luxemburgo é muito bonito, mas não é assim nada muito criativo do ponto de vista de arquitetura. Seu projeto lembra o de castelos franceses residenciais – os famosos chatêaux de Champagne, Borgonha e Bordeaux, Vale do Loire, por exemplo.
Os jardins nasceram para completar o palácio: inicialmente a rainha mandou usou o terreno anexo ao Palácio, de oito hectares, para recriar outra propriedade de Florença, na Itália, o Jardim Boboli. Na sequencia a rainha comprou novas áreas e os jardins foram crescendo – chegaram a ter 30 hectares. Jacques Boyceau, o reponsável contratado pela rainha construiu os primeiros canteiros, com formas simétricas, circundando uma fonte que era alimentada pela água trazida pelo aqueduto romano de Arcueil, reconstruído pelo engenheiro florentino Thomas Francini especialmente para atender os esejos da rainha saudosa.
Com a Revolução Francesa, o vizinho convento dos Chartreux foi destruído e sua área anexada ao Jardim de Luxemburgo, o que era o grande sonho de Maria de Médicis desde o início.
Então, agora com 48 hectares, o jardim vai até o atual Boulevard du Montparnasse. Junto com a área do convento foi anexado o chamado Jardim Frutífero plantado pelos monges, que com cerca de mil árvores, produz atualmente 379 variedades de maçãs e 247 tipos de pêras. Ao lado de milhares de flores, especialmente papoulas.
Os franceses adoram lagartear no parque na primavera e verão – aliás, os franceses adoram parques! Segundo dados do Senado, que administra a área, em um domingo de verão, o Jardim de Luxemburgo já acolheu de uma única vez 100 mil visitantes.
Foi lugar de inspiração de artistas ilustres como Madame de Sévigné, George Sand, Simone de Beauvoir, Balzac, Baudelaire, entre outros. Hoje, é possivel ver muitos desses personagens nas próprias estátuas do Jardim que é um verdadeiro museu a céu aberto.
O Jardim ainda tem um apiário criado em 1856 dedicado à preservação das abelhas e ao ensino da escola de técnicas de apicultura da Société Centrale d’Apiculture (Sociedade Central de Apicultura) que anualmente (em setembro) realiza uma festa do mel (veja cartaz).
Ainda bem que a rainha teve saudades de Florença; se eu fosse imperador e tivesse um ataque de saudade da minha terra natal (Torres, Rio Grande do sul), o castelo seria semelhante a uma montanha de pedras na beira do mar…
(*) Rogerio Ruschel é jornalista e consultor especializado em meio ambiente e aproveitou a passagem por Paris para declarar seu amor ao Jardim de Luxemburgo.

 

4 Comentários


  1. Obrigado, Maria Inez. Grato pelo prestigio da leitura e espero que nos visite sempre e convide os amigos de bom gosto. Veja matérias sobre Genebra, Berna e Siocilia – basta digitar a palvra no espaço em branco abaixo do logotipo In Vino Viajas. Abs.

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *