Os belos Vales Pasiegos da Cantabria, Espanha, terra do autêntico Sobao Pasiego, das Cavernas de Altamira e dos vinhos de la Tierra com a uva Godello

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Por Rogerio Ruschel  (*)
“Suaves colinas, salpicadas de cabanas em um intenso verde: é aqui nos Vales Pasiegos, na Cantabria inalterada pelo tempo que habitam os pasiegos, gente simples e arraigada à terra que produz riquezas com trabalho e produtos naturais, como o sobão pasiego, a queijada pasiega e outros mais que vamos conhecer agora.” É assim que começa a reportagem “En busca del auténtico sobao pasiego”, da jornalista espanhola e basca Oihana Eraso Guisasola, que escreve e edita para a internet e para a televisão.O vídeo, que traz belas imagens e inspirou esta reportagem, pode ser visto aqui – www.agroviajeros.com

Veja aqui um pouco da beleza e cultura desta região encantadora – a começar pelas cabanas (acima e abaixo) que “salpicam as suaves Colinas da Cantábria”, como mostrou Oihana.

 

 

A Cantábria é uma comunidade autonoma da Espanha, bem ao noroeste, vizinha do País Basco, Castela e Leão e Asturias, e de frente para o Golfo de Biscaia – veja em cor bem pink, no mapa abaixo.

 

A capital é a cidade de Santander e as montanhas e colinas recebem um permanente clima oceânico úmido e muita chuva, o que permite o crescimento de muita (e bonita) vegetação. A geografia é dominada pelos Valles Pasiegos da Cantabria (veja mapa regional abaixo), tres grandes vales onde ainda se dá valor à terra e aos animais e onde são produzidos vinhos e biscoitos artesanais como o sobao e as quesadas de grande prestígio na Espanha e no exterior, que você vai conhecer aqui.

 

O sobao pasiego é um produto típico dos Valles Pasiegos, especialmente nas comunidades de Selaya, Vega de Pas, Villacarriedo y Alceda-Ontaneda e no noroeste da provincia de Burgos. Na receita original (que vem da Idade Média) os ingredientes eram massa de pão, açúcar e manteiga; em 1896 a massa de pão foi substituida por farinha e ovos, foram acrescentadas pitadas de sal, limão ralado e um pouco de rum e é assim que este tipo de bolo deve ser feito para ser qualificado com sua Identificação Geográfica Protegida (IGP) “Sobao Pasiego”, que protege o autêntico sobao pasiego desde 2004.

 

 

Já a quesada pasiega é uma sobremesa típica dos Vales Pasiegos que tem como ingrediente básico o leite bovino coalhado (que vai dar base à quijada), ao qual se acrescenta manteiga, farinha de trigo, ovos e açúcar – além de aromatizadores como limão ralado e canela em pó. A massa já batida é colocada em moldes que vão para um forno a 180 graus durante mais ou menos uma hora, até ficar com a superficie dourada. O resultado final é um doce de leite e queijo com consistência de pudim e ligeiramente doce – uma delicia!

 

O Sobao e a Quesada pasiegos são alimentos com milenar tradição cultural, uma espécie de tradutores de identidade da região, algo assim como o pão de queijo de Minas Gerais, o churrasco do Rio Grande do Sul, o acarajé da Bahia, o Açai do Pará, a carne de sol de Pernambuco e outros quitutes que podem ser feitos em qualquer lugar do Brasil, mas que ficam melhores em suas regiões de origem. Na verdade estes produtos deveriam ter Identificação Geográfica Protegida (IGP), mas como ainda somos um povo que não tem interesse por sua própria cultura, temos que enfrentar problemas como com a marca “Açaí”, que desde março de 2001 se tornou uma marca registrada por uma empresa na União Européia.

 

Outras delicias da região são as conservas e marmeladas de frutas e legumes, pates vegetais, chutneys, pastas de frutas, queijos ecológicos (abaixo), iogurtes e mel. Esta grande atividade no ambiente rural produz cenas interessantes, como as registradas abaixo.

 

Os vinhos regionais da Cantábria tem duas denominações genéricas, aplicadas a vinhos de mesa:  “Vino de la Tierra Costa de Cantabria ” e “Vino de la Tierra de Liébana”. “Carrales de Cayón” é a marca do vinho talvez mais conhecido dos Vales Pasiegos no Brasil; na verdade a produção de vinhos “de la Tierra” foi retomada em 2010, depois de 150 anos sem videiras no território (a foto abaixo mostra uma etiqueta do vinho das Bodegas Sel d’Aiz, da Calábria) .

 

Retomar a produção vinícola foi resultado de um esforço de produtores e agentes públicos produzindo vinhos baseados em castas como Albarinho, Riesling, Chardonnay, Treixadura e Ondarribi Zuri, todas brancas (foto abaixo, vinhedo de Bodegas Sel d’Aiz de Castillo Pedroso, Corvera de Toranzo) – mas especialmente com a uva branca Godello, que gera um vinho de grande qualidade frutado, aromatizado e amável na boca, com agradável retrogosto.

 

A atividade vinicola na Cantábria pode ser conhecida por turistas em cerca de 12 bodegas, como na Finca Las Araucaruas em Esles de Cayón.

 

E antes de terminar, só quero lembrar que, quando você for à Cantábria, não se esqueça de conhecer as cavernas de Altamira e outras, datadas entre 16.000 e 9.000  A.C., declaradas Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É que a Cantábria é a região mais rica do mundo em sítios arqueológicos do Paleolítico Superior. Não existe comprovação científica (ainda), mas pesquisadores ainda vão descobrir que desde essa época os moradores já faziam seu sobao e sua quesada pasiegos…

Para saber mais: video em http://enoviajeros.wix.com/agroviajeros

Imagens do acervo da agroviajeros.com e de serviços de turismo de Valles Pasiegos e da Cantábira.
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta das delicias da Cantábria

 

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