Participe de campanha de crowfunding para recriar o vinho que o Imperador romano Julio Cesar bebia há 2.000 anos em suas vitórias.

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)
O multi-premiado criador de vinhos Roberto Cipresso, proprietário da WineMaking de Montalcino, Itália,  está tentando recriar o vinho preferido pelo Imperador Júlio César há mais de 2.100 anos – provavelmente o vinho que o imperador usava para comemorar suas vitórias, como a mostrada na tela acima. Para isso Cipresso lançou a campanha “Temporibus Vinum Giulii” (abaixo, foto do video de lançamento) em seu badalado estande na recente edição da Vinitaly 2014 e ampliou a campanha para a internet, fazendo a primeira campanha de crowfunding para um vinho. (“Crowfunding” é o nome dado a campanhas que arrecadam doações financeiras voluntárias para projetos sociais ou culturais lançados pela internet).
Cipresso é enólogo e proprietário da Fattore La Fiorita de Montalcino, Itália e dá consultoria a vinícolas em vários países, como à argentina Achaval Ferrer e à Bueno Bellavista Estate, vinícola do locutor brasileiro Galvão Bueno e seu sócio Grupo Miolo, no Brasil, para o desenvolvimento dos vinhos “Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino”Lançado em Fevereiro de 2014, este novo rótulo do locutor Galvão Bueno é um DOCG produzido na vinícola Poggio al Sole, Toscana, com a clássica uva Sangiovese Grosso e está disponível no mercado brasileiro nas safras 2004 e 2007. Vejas fotos abaixo do locutor e o enólogo Roberto Cipresso.

Com sócios, Cipresso criou o projeto WineCircus, uma cantina-laboratório que pesquisa uvas autóctones e processos antigos de vinificação. O vinicultor utilizou vestígios de viníferas encontradas por pesquisadores entre as ruínas da vila do imperador romano Júlio César, em Campi Flegrei, Itália, local sobre o qual em 1493 foi construído o Castello di Baia pelo rei Afonso I de Aragão. Veja abaixo e na imagem de abertura, um quadro de Lionel Royer que mostra o líder da Gália Vercingetórix se rendendo a César, em seu trono de “dono do mundo ocidental”.

Os vestígios encontrados apontam para uvas que permitiam produzir vinhos conhecidos em registros históricos como Falanx e Ellenicum, e como estavam plantados na residência dele, talvez fossem as uvas que faziam o vinho que o próprio imperador bebia. Aliás, segundo consta, no tempo de Júlio César o vinho era a bebida que animava grandes bacanais, como o da imagem abaixo.
O objetivo da campanha, segundo Roberto Cipresso “é criar uma comunidade de fãs que queiram recuperar os gostos e sabores de antigas vinhas perdidas no tempo e ajudar a cobrir os custos necessários para produzir uma quantidade limitada de garrafas de vinho – com 20.000 Euros conseguiremos produzir cerca de 1.000 garrafas de meio litro de um vinho que vai receber o nome de Vinum Giulii (veja abaixo) que serão entregues aos colaboradores.”
Cipresso adianta também que “Se o crowdfunding tiver sucesso além disso, poderemos ampliar os estudos ou produzir mais garrafas para doação a museus e pesquisadores, mas nenhuma garrafa será vendida em hipótese nenhuma.” A campanha “Temporibus Vinum Giulii” está sendo realizada pelo site de “crowfunding” Indiegogo, mas como o site não permite que se arrecade dinheiro para um projeto de bebida alcoólica, os doadores vão participar do clube de pesquisa de vinhos de Cipresso, o WineCircus, e ganhar cartões de associado (cartão Preto, Prata ou Ouro) e garrafas do “Vinum Giulli”, conforme o valor da doação. Quem doar 5.000 Euros vai poder ficar um dia no Poggio dal Sole, a badalada vinícola (e hotel) de Roberto Cipresso em Montalcino, na Toscana italiana, onde foram tiradas estas fotos abaixo.
Quando escrevi este texto,  dia 20 de abril, cerca de 8% do valor total já havia sido arrecadado – veja em  https://www.indiegogo.com/projects/temporibus-by-roberto-cipresso#home
Júlio César foi o imperador que transformou a República Romana no Império Romano, a partir do ano 60 Antes de Cristo. O próprio Júlio César registrou seus feitos militares de conquista da Gália entre 58 e 52 A.C. num texto chamado “Bello Gallico” – veja abaixo capa de uma edição do século XVII.
Veja outra pesquisa para recriar vinhos antigos – desta vez na Sicilia – em http://www.invinoviajas.com/2014/02/pesquisa-historica-na-sicilia-produz/
(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e gosta de pesquisas históricas – ainda mais se puder beber o resultado!

 

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