Exportação brasileira de vinhos engarrafados quadruplica nos primeiros 4 meses de 2014. Ótimo – vamos agora valorizar os brasileiros que produzem os vinhos?

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Proponho um brinde a esta boa notícia: nossas exportações de vinho estão crescendo bastante. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), no primeiro quadrimestre deste ano as exportações de vinhos brasileiros engarrafados cresceram 375,5% em valor comercializado, em relação ao mesmo período de 2013. O montante de US$ 5,75 milhões contabilizados em vinhos e espumantes engarrafados equivale a 4,5 vezes o total exportado de janeiro a abril do ano passado e supera em 6,6% o total exportado em todo o ano 2013. Ótimos números, especialmente quando sabemos que a economia brasileira cresceu apenas 0,21% no primeiro trimestre de 2014!

 

O resultado está sendo comemrado por produtores e pela Wines of Brasil, projeto de promoção dos vinhos brasileiros no Exterior operado pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para Roberta Baggio Pedreira, gerente do Wines of Brasil, a Copa ajudou a catalisar um processo de construção de imagem e aproximação comercial e dos vinhos finos brasileiros no Exterior que vem sendo realizado há 10 anos.

 

Outra boa notícia, e esta é sobre qualidade: durante a Expovinis 2014, em fins de abril, o especialista ingles Steven Spurrier (foto abaixo) – realizador do famoso Julgamento de Paris que colocou os vinhos californianos no cenário mundial em 1976 ao compará-los com vinhos franceses – esteve no Brasil e disse que nós não precisaríamos importar champanhes por causa da alta qualidade de nosso espumantes. Modéstia à parte, eu já dizia isso – mesmo sabendo que vinho é uma questão de gosto pessoal, e não de origem de fabricante.

Outro dado comemorado é o aumento do valor médio por garrafa exportada, que passou de US$ 3,32 para US$ 4,02, representando alta de 21%. “Não estamos nos posicionando nas categorias de entrada, nos quais países como Chile e Argentina têm grande competitividade em função do grande volume e de menores custos de produção. O interesse maior dos compradores de vinhos brasileiros estão em vinhos de categoria intermediária, com bom custo-benefício”, observa Roberta. Abaixo, uma cena que os compradores dos vinhos brasileiros precisam conhecer: viticultores da serra gaúcha se divertindo no tradicional jogo da mora, o que, acredito, ainda só existe por aqui, é um aspecto da cultura do Vale dos Vinhedos.

 

O Brasil está se abrindo para o mundo Os mercados compradores que se destacaram neste primeiro quadrimestre foram o Reino Unido, que multiplicou em 29 vezes o valor importado do Brasil, a Bélgica, que registrou alta 51 vezes maior, a Alemanha, que incrementou o resultado em 6,5 vezes, a Holanda, com 99,5 vezes o montante do período anterior, e o Japão, que multiplicou o desempenho em 14 vezes. Quer dizer: o mundo está se abrindo para o Brasil ou o Brasil está se abrindo para o mundo – como esta janela da foto abaixo, que se abre para a serra gaúcha (janela da Pousada Borghetto Sant’Anna, em Bento Gonçalves).

 

Resultados econômicos são muito bem-vindos, mas em uma taça de vinho, cerca de 70% do produto está fora da taça: é o que se chama de cultura do vinho, um dos focos do In Vino Viajas . Minha proposta é que deveríamos fazer (com planejamento, investimento e foco) como França, Itália, Portugal e Espanha: junto com cada garrafa de vinho brasileiro deveriam estar sendo “exportados” também os valores das comunidades que os produziram, as belezas naturais de nossos terroirs, nossa diversidade cultural, alegria e simpatia; nossa arte, música, arquitetura e outros recursos turísticos relacionados a vinhos e produtos típicos – como as fotos abaixo mostram.

 

 

Vamos fazer isso, amigos do Ibravin e demais lideranças setorias?

Fonte: Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), 26 de maio de 2014

(*) Rogerio Ruschel é jornalista, enófilo e especialista em enoturismo e cultura do vinho. E se orgulha de ser brasileiro.

 

4 Comentários


  1. Olá, Peter, obrigado pela leitura. Vinhos brasileiros estão começando a ter e manter padrão internacional; em mais umas 10 safras poderemos começar a competir com vinhos com mais experiência, como os portugueses. Vou procurar o T da Quinta da Terrugem, abs

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  2. Olá Rogério!

    Penso que a "Sogrape" está implantada no Brasil ao abrigo de um protocolo assinado entre os governos de Portugal e Brasil, com o intuito de melhorar a qualidade dos vossos vinhos.

    O T da Quinta da Terrugem é um topo alentejano, estilo Pêra Manca, mas para bom (e a custar quase metade do preço) em muito boa forma ao fim de dez anos. Grande vinho, é pena que não tenha voltado a sair para o mercado. 2002 terá sido um ano maldito, mas não para todos os vinhos.

    Deixo-te aqui mais um excelente vinho Português, o Antónia Adelaide Ferreira Tinto 2009
    "… Com uma profunda cor rubi, o seu aroma é intenso e complexo, com destaque para a fruta vermelha bem madura, os balsâmicos; resina, cedro e caixa de tabaco. No nariz revela ainda especiarias e cacau, característico de anos com boa maturação. Fruto de um longo estágio em barrica, a madeira surge com qualidade e bem integrada. Na boca demonstra uma excelente estrutura, taninos firmes de boa textura, acidez viva e bem ligada, forte presença de especiarias como a pimenta e caril. O final é muito longo e harmonioso. …"

    Um abraço
    Peter Sousa

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