Os Vikings, Cristovão Colombo e o descobrimento da América: reescrevendo a história do Novo Mundo com a ajuda do vinho

Tempo de leitura: 5 minutos

 

Por Rogerio Ruschel (*)
Meu prezado leitor, vamos esclarecer duas mentiras históricas. A primeira é que não foi Cristovão Colombo quem descobriu a América em 1492, e sim, viajantes vikings, quase 500 anos antes. A segunda é que a uva não foi introduzida na América por padres como se diz (em 1769 nos Estados Unidos, em 1550 no Chile, em 1556 na Argentina, em 1546 no Brasil e assim por diante) porque num mapa viking a região onde hoje é a Groenlandia (Canadá) é chamada de Vinland!  Veja o mapa das viagens abaixo e a placa turística acima.
Pois é: como In Vino Viajas é cultura, vamos mostrar como e porque o vinho sempre esteve por trás dos navegadores e aventureiros que alargaram os horizontes da Humanidade – como por exemplo, a dura existência de Hagar, o Horrivel, o simpático personagem de Chris Browne, como mostra o desenho abaixo.

 

Quer outra prova, e esta mais concreta? Veja a escultura de pedra da foto abaixo que é parte de uma lápide do século III DC (ano 280) encontrada na Alemanha, e  que representa um navio que transporta barris de vinho.

 

Segundo as sagas vikings “Saga de Érico, o Vermelho” e a “Saga dos groenlandeses”, estes povos nórdicos (noruegueses, finlandeses, suecos e dinamarqueses) iniciaram a exploração da parte do mundo que hoje é conhecida como América do Norte pelo oeste da Groenlândia. Bjarni Herjólfsson, um mercador noruegues, teria perdido o rumo e chegou lá no século XI, cerca de 500 anos antes de Cristóvão Colombo “descobrir” a América. Este território seria explorado mais tarde por Leif Eriksson que fundou, onde hoje é o Labrador, no Canadá, um assentamento chamado “Leibfundir” quer quer dizer “baía das águas-vivas” e que ficou conhecido por seu nome francês L’Anse-aux-Méduses. Veja na foto abaixo este sitio arqueológico.

 

Mas o que interressa é que estas sagas descrevem três áreas descobertas durante essa exploração: Helluland, a “terra de pedras planas”, hoje Balin Island; Markland, o “território coberto por bosques”, hoje o Labrador;  e Vinland a “terra dos vinhedos”, hoje Newfoundland, que foi onde se estabeleceu o assentamento L’Anse aux Meadows – atualmente um sitio declarado Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco– como comprovado em 1960 por arqueólogos dinamarqueses – veja o mapa publicado acima e a comunidade L’Anse aux Meadows reconstruída na foto abaixo.

 

A localização de Vinland, a terra dos vinhedos, na atualmente chamada Ilha Newfoundland, foi apresentada pelo famoso Mapa Vinland (foto abaixo), que teve datação de Carbono 14 como produzido em torno do ano 1.000 DC- e que, apenas por curiosidade, já indicava a existência do Brasil.

 

Assim não há dúvida de duas coisas: 1) os vikings descobriram a America do Norte muito antes dos espanhóis e 2) quando lá chegaram encontraram uvas nativas, com as quais os indígenas faziam uma bebida que teve seu nome grafado como vin, como mostra a ilustração abaixo. Quais uvas? In Vino Viajas é cultura, meu caro leitor ou leitora, mas vou ficar devendo esta resposta… 

 

O vinho de Cristóvão Colombo era de Huelva ou da Galícia?
O navegador e explorador italiano Cristóvão Colombo (foto abaixo) é considerado o descobridor da América por ter chegado à ilha de São Salvador e a costa dos Estados Unidos em 12 de outubro de 1492. Não me chame de fofoqueiro, mas dizem que Colombo tinha um cópia do mapa do sábio Paulo Toscanelli no qual já figuravam a China e o Japão e se demonstrava que seria possivel chegar às Indias seguindo em direção oeste, porque já se sabia que a Terra era redonda. 
 Com este mapa Colombo conseguiu o apoio de Fernando e Isabel, os Reis Católicos da Espanha, para pesquisar esta nova rota para as Indias e descobriu o Novo Mundo. Veja abaixo o mapa das rotas de Colombo. Esta é uma versão histórica mentirosa, como vimos na história dos vikings acima, mas o que interessa agora é outra coisa: qual era o vinho que Colombo levava a bordo?

 

Alguns pesquisadores acreditam que os navios espanhóis que partiram de Palos de la Frontera (Huelva) em 3 de Agosto de 1492 para “descobrir uma nova rota para as Índias” tinham em suas adegas um vinho cultivado nas planícies do baixo Guadalquivir, no Condado de Huelva, região de Sevilha, Espanha, terra de vinhos doces e Pedro Ximenez. Estes vinhos, então denominados “Condado de Huelva” tiveram seu momento de glória no século XIV, sendo exportados para todo o mundo conhecido até serem substituídos pelos Jerez. Na foto abaixo réplicas turísticas das caravelas no Porto de Huelva,

 

Outra teoria sugere que, de acordo com documentos recentemente descobertos no Arquivo Nacional de Simancas, o vinho da primeira expedição para o novo continente seria um chamado de “Ribeiro”, oriundo da Galícia. Estes documentos datam de 1500 e neles há um parágrafo que mostra que um padre que acompanhava a expedição pediu para aumentar sua ração do “bom vinho de Ribadavia”, uma pequena cidade da Galícia, perto de Vigo e do norte de Portugal, região dos vinhos Alvariño. Veja abaixo uma foto de Ribadavia.
De qualquer maneira o que importa é saber que estes viajantes globais da Idade Média sonhavam com novos horizontes e eram movidos por razões econômicas e geo-estratégicas como os atuais viajantes globais, e que o vinho estava sempre com eles – especialmente vinhos mais perfumados, com mais álcool, que aguentavam mais tempo em travessias oceânicas. Brindemos a isso: tim-tim!

 

(*) Rogerio Ruschel é jornalista e edita In Vino Viajas em São Paulo, Brasil. Ainda não conhece a Vinland da Groenlândia, mas conhece várias outras vinlands

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