Turismo de Portugal é eleito o melhor Organismo de Turismo da Europa pelo terceiro ano consecutivo. O que podemos aprender com eles?

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Em 2016 o turismo português gerou (até agora) 40 mil empregos e foi responsável por 17% das exportações do país. E a agência de desenvolvimento Turismo de Portugal venceu os World Travel Awards 2016 – os “Óscares do Turismo” – na categoria de Melhor Organismo Oficial de Turismo Europeu (Europe’s Leading Tourist Board), pelo terceiro ano consecutivo. Além disso o Algarve foi o destino líder de praia da Europa; a TAP foi a companhia aérea lider da Europa para America Latina e para a África e editora da melhor revista de bordo da Europa e vários hotéis e spas portugueses foram vencedores em suas categorias – aliás, em todas as categorias de praia Portugal de novo deu show.

A eleição foi resultado de uma votação da qual participaram milhares de profissionais do setor de todo o mundo. Portugal foi distinguido com um total de 24 prêmios na edição de 2016 na categoria Europa, e 13 prêmios na categoria País. Os World Travel Awards existem desde 1993 e a Turismo de Portugal IP, integrado ao Ministério da Economia português, é a Autoridade Turística Nacional responsável pela promoção, valorização e sustentabilidade da atividade turística.

O presidente (foto acima) é Luis Araujo, jovem ex-administrador do grupo Pestana para a América Latina, ex-chefe de gabinete do Secretário de Estado do Turismo (Ministério do Turismo portugês) e formado em direito com várias especializações em hotelaria pela Universidade de Cornell; no Brasil o coordenador é Bernardo Barreiros Cardoso. Mas de onde vem tamanho desempenho de um pais que é menor do que o estado de Pernambuco? Da qualidade dos gestores, do respeito com que a atividade é tratada, da percepção de que o turismo é um bem público e do foco da organização. As referências e o ambiente competitivo de Portugal são os vizinhos, campeões em turismo, como França, Espanha e Alemanha.

Baseado nesse ambiente Portugal tem que se esforçar para atrair turistas e seu Plano Estratégico Nacional do Turismo está integrado a um Programa de Qualidade com referenciais de qualidade para destinos, produtos, organizações e serviços turísticos – como por exemplo empresas, o alvo da apresentação acima. Desta forma o pequenino Portugal vem investindo com seriedade para se posicionar como destino de excelência no contexto nacional e internacional – e obviamente vem conseguindo.

Os órgãos federais de turismo de muitos paises, inclusive o Brasil poderiam estudar não só as práticas de boa gestão dos portugueses, mas também um pouco de sua inteligência estratégica. Por exemplo: colocar profissionais do ramo de turismo na gestão dos órgãos públicos. Sendo profissionais do ramo e não politicos, entenderiam porque a Turismo de Portugal participa de duas empresas – a Portugal Ventures e a Turismo Fundos.A Portugal Ventures é uma Sociedade de Capital de Risco que foca a sua política de investimento em projetos inovadores de base científica e tecnológica, bem como em empresas com projetos de expansão internacional e do setor do turismo. Os fundos totalizam aproximadamente €600 milhões. A Turismo Fundos administra, gere e representa três Fundos de Investimento Imobiliário, cuja intervenção tem possibilitado a modernização e redimensionamento da oferta hoteleira, demonstrando que o sector do turismo é uma área estratégica para o país. O capital é de 375 mil Euros e a Turismo de Portugal, I.P. tem 53%. Ou seja, além de políticas com visão de incentivo a longo prazo, atuam em mobilização de mercado, sem interferências ou achaques.

 

In Vino Viajas publica regularmente estudos e estatísticas da Turismo de Portugal com referência ao enoturismo; por exemplo, veja aqui: http://www.invinoviajas.com/2015/11/pesquisa-mostra-que-o-enoturismo/

Mesmo sendo um órgão público, a Turismo de Portugal é eficiente e produtiva e por isso mesmo, meus caros leitores ou leitoras, faço um brinde aos portugueses que são pequenos no tamanho mas grandes no trabalho, e que acreditam, constroem – e colhem.

(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas a partir de São Paulo, Brasil, mas sempre que pode vai a Portugal para conhecer cada vez melhor este interessante país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *