10 razões para visitar a Adega Cartuxa, em Évora, Alentejo, Portugal, e querer voltar sempre – e com amigos

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu caro leitor ou leitora, vou apresentar 10 razões para você visitar a Adega Cartuxa, no Alentejo, quando estiver em Portugal – mas tenha a certeza de que existem muitas outras. Vamos começar pela primeira, e mais óbvia: a visita satisfaz plenamente o visitante porque o serviço é profissional e organizado. Você pode ir a qualquer momento até a sede da Adega Cartuxa, na Quinta de Valbom, a 2 km do centro histórico de Évora, mas se quiser fazer a visita formal à adega – que um video, a visita com um guia, sentir os aromas das castas nos paineis exclusivos (abaixo) e uma degustação básica – precisa agendar com antecedência.

Outra razão é que a visita agrega valor cultural, se aprende muito sobre o patrimônio, o prédio histórico, a região e a história. A Adega Cartuxa – Quinta de Valbom, uma antiga casa de repouso da Companhia de Jesus, é atualmente o centro de estágio dos vinhos da Fundação Eugénio de Almeida. A Adega fica a 200 metros do Mosteiro da Cartuxa (formalmente Mosteiro Cartuxa De Santa Maria Scala Coeli – que em italiano quer dizer “escada do céu”) construído entre 1587 e 1598 para monges da ordem religiosa dos cartuxos. Os monges foram expulsos por força do Marques do Pombal em 1834, passou a pertencer ao Estado e no fim do século XIX foi adquirido e restaurado pela família Eugénio de Almeida que reinstalou os Monges Cartuxos no mosteiro em 1960. São quase 500 anos de historia acessíveis aos visitantes.

O perfil do produtor é outra razão para visitar a Cartuxa: diferentemente de uma empresa ou cooperativa de produtores, os vinhos e azeites Cartuxa são propriedade da Fundação Eugénio de Almeida que mantém os patrimônios históricos e arquitetônicos do Mosteiro e seus sinos, especialmente o da meia-noite, que forma parte do encanto da cidade-museu de Évora considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Outra razão para voltar é a qualidade dos vinhos. Os vinhos e azeites são a principal atividade que sustenta as demais iniciativas de interesse social e coletivo da Fundação Eugénio de Almeida e suas atividades complentares no Lagar Cartuxa e Enoturismo Cartuxa. Sob a marca guarda-chuva Cartuxa estão produtos de alta qualidade como o EA, o Cartuxa, o Scala Coeli e o famoso Pêra-Manca.

Os vinhedos da Cartuxa ocupam mais de 400 hectares de área e são de cultivo próprio, nas herdades de Pinheiros, Casito, Álamo da Horta e Quinta de Valbom, quase que exclusivamente com as principais castas alentejanas. Todos os cuidados ambientais, agrícolas e técnicos são feitos a partir de um controle técnico de alto nível – afinal, todas as marcas são pelo menos “primos” do Pêra-Manca, a marca que a Fundação Eugénio de Almeida destina aos seus vinhos de excepção.

Aliás, conhecer as historias e degustar o famoso vinho Pêra-Manca (tinto ou branco) é outra razão para visitar a Cartuxa e voltar. Dizem que Pêra-Manca vem do toponímico “pedra manca”, uma formação granítica de blocos arredondados, em desequilíbrio sobre rocha firme. Dizem também que tradição do vinho Pêra-Manca remonta à Idade Média e que por volta de 1365, Nossa Senhora teria aparecido em cima de um espinheiro a um pastor, e no local foi edificado um oratório que se tornou ponto de peregrinação e plantado um vinhedo. Nos séculos XV e XVI, os vinhedos de Pêra-Manca eram propriedade dos frades do Convento do Espinheiro que tinham construido um igreja no local; depois pertenceram a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei e dizem que eras u m Pêra-Manca o vinho que Pedro Álvares Cabral transportou em suas naus quando chegou ao Brasil. Verdade ou não, você saboreia esta historia na Cartuxa, com o Pera-Manca.

Outra razão para gostar do passeio é saber como os enólogos e técnicos da Adega Cartuxa gerenciam a produção dos vinhos que envolve aspectos pelo menos tres dimensões: a matéria-prima (as uvas e vinhedos); o processo produtivo (a tecnologia, o ambiente produtivo, a escolha do brand), e o perfil de quem faz o vinho, o enólogo e a empresa. Muito simples, mas ao mesmo tempo complexo.

A localização é mais uma razão: tudo isso está a apenas 2 quilometros de Évora, a bela cidade reconhecida como Patrimonio da Humanidade pela Unesco (na foto acima, a Catedral da Sé de Évora, fundada no século XII). No coração de Évora fica a sede da Fundação Eugénio de Almeida onde recomendo que você visite a Enoteca Cartuxa e o Jardim das Casas Pintadas. A Enoteca é uma loja e restaurante na rua Vasco da Gama, onde você pode conhecer a linha completa de produtos e acessórios e harmonizá-los com alta gastronomia de tradição alentejana como “beiço de porco de coentrada”, “pezinhos de borrego, cenoura, grão e hotelã”, “farinheira corada, favas, gengibre e pimento” ou “salada de coelho assado, avelãs, maçã e tomate seco”, entre outras (foto abaixo).

Já o Jardim das Casas Pintadas é um patrimônio classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1950 de propriedade da Fundação que tem em suas paredes figuras como dragões, centauros, sereias, leopardos, raposas, veados e galos – um mundo de fantasia pleno de simbolismo. Como dizem os portugueses, muito giro.

É claro que os vinhos (e os azeites) são uma forte razão para visitar e voltar, até porque são vendidos na Adega e na Enoteca, a preços diretos para o consumidor.
Em minha degustação (foto acima, com o prestativo Vitor, da equipe de enoturismo da Cartuxa) o EA, um tinto bastante redondo; fiz uma mini degustação horizontal do Cartuxa – branco, tinto e Reserva; provei um Scala Coeli 2012, um vinho encorpado, complexo e elegante feito com castas não alentejanas – e para minha glória, um Pêra-Manca branco.

Enfim, meu caro leitor ou leitora, você tem pelo menos 10 razões para visitar a Adega Cartuxa, em Évora, Alentejo, Portugal, e querer voltar sempre. Como eu. Saiba mais e se agende pelo site http://www.cartuxa.pt/pt/contact/14/40

(*) Rogerio Ruschel edita In Vino Viajas em São Paulo, Brasil, e esteve provando Pera-Mancas na Cartuxa e em outros locais.

 

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