Conheça o couro vegetal feito com resíduos de uvas, uma proposta criativa de sustentabilidade na indústria vitivinícola que vem da Itália

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Meu prezado leitor ou leitora, quero te apresentar a uma iniciativa que está unindo duas grandes excelências italianas: a moda e o vinho. A iniciativa é de um arquiteto e pesquisador italiano chamado Gianpiero Tessitore, que desenvolveu um couro vegetal feito com bagaço da uva (peles, sementes e caules), uma daquelas ideias que eu gosto de aplaudir e divulgar.

Na época da vindima as uvas são colhidas e amassadas e o bagaço, tudo aquilo que não é suco de uva, é considerado resíduo. Em vinhedos muito grandes o resíduo vira uma montanha de lixo orgânico que até pouco tempo era queimado, mas vem sendo compostado para virar adubo na Europa, especialmente na Espanha e na França. Recentemente conheci um processo na vinicola Les Perriéres, em Satigny, na Suiça, que transforma tudo isso em um pó – veja aqui: http://migre.me/wy6Om . Na Austrália residuos foram utilizados para desenvolver um tecido, veja aqui:http://www.invinoviajas.com/2014/08/cientistas-australianos-criam-um-tecido/Pois agora um italiano está transformando estes resíduos em couro vegetal, e considerando que a Itália detém aproximadamente 18% da produção mundial de vinhos, a ideia tem tudo para ser um sucesso.

Batizado de Wineleather, o produto é composto de fibras e óleos contidos no bagaço da uva, nas peles, sementes e caules (foto acima), resíduos obtidos durante a produção do vinho. O couro de vinho possui as mesmas características mecânicas, sensoriais e estéticas do couro animal, e é um couro de alta qualidade com baixo custos de produção, adaptável e fácil de trabalhar. Se distingue do couro vegano ou dos “eco-couros”, porque estes são sintéticos e na produção se utiliza produtos químicos poluentes; segundo o criador o processo do Wineleather não utiliza água, ácido ou metais pesados e não é testado em animais.

O couro vegetal foi desenvolvido por Gianpiero Tessitore em Milão, Itália (na foto abaixo) fundador da empresa Vegea Ltda. em janeiro de 2016. Desde 2014, Tessitore vem estudando as propriedades físicas e mecânicas de várias fibras vegetais junto a centros de pesquisa especializados. A criação foi uma das vencedoras do prêmio Global Change Award da H&M e ele vem tabalhando nisso pensando nos princípios da sustentabilidade, ética, proteção da saúde dos trabalhadores e dos consumidores – um exemplo perfeito de economia circular e bioeconomia.

Atualmente a empresa está instalada na incubadora Progetto Manifattura, um centro de inovação para empresas que investem em construção verde, energia renovável e tecnologias ambientais. Anualmente, são produzidos 26 bilhões de litros de vinho no mundo que eram quase sete bilhões de quilos de bagaço de cana. Tudo isso pode ser transformado em matéria-prima em um ambiente de economia circular. Brindo a isso.

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(*) Rogerio Ruschel é editor de in Vino Viajas em São Paulo, Brasil, mas viaja com boas ideias sustentáveis

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