Degustando história, gastronomia e vinhos premiados na Quinta do Gradil, em Vilar, Portugal, a vinícola que foi do Marquês do Pombal

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Por Rogerio Ruschel (*)

Meu querido leitor ou leitora, recentemente fiz uma visita à Quinta do Gradil, em Vilar, Cadaval, cerca de 50 Km de Lisboa pela rodovia A8, entre Torres Vedras e a Serra de Montejunto. No final, ao fazer uma degustação de tintos e brancos premiados mais uma vez (acima) com cardápio do chef Daniel Sequeira senti algumas vezes a presença do espirito do Marquês de Pombal, o criador da primeira Denominação de Origem do mundo, para o vinho do Porto, no Douro. A explicação é simples: Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês do Pombal, foi o proprietário do Gradil e simplesmente adorava esta propriedade!

O Marquês de Pombal (retratado por Louis-Michel van Loo, acima) foi um nobre e diplomata, secretário do Reinado de Dom José I, que entrou para a historia de Portugal por ter feito várias coisas importantes para o país, além de proteger o vinho do Porto: acabou com a escravatura em Portugal Continental em 1761; recuperou e renovou a cidade de Lisboa depois do terremoto de 1755 e é considerado um dos principais responsáveis pela expulsão dos jesuítas de Portugal e do Brasil.

A Quinta do Gradil tem muita historia e várias estorias – e algumas delas são teatralizadas para visitantes, como no dia 13 de maio, aniversário do Marquês de Pombal, na foto acima. O documento mais antigo sobre a propriedade, datado de14 de Fevereiro de 1492, informava que D. Martinho de Noronha recebeu de D. João II a carta de doação da jurisdição e rendas do Concelho do Cadaval e da Quinta do Gradil.

Em 1483 D. Fernando II, então proprietário, foi acusado de traição e degolado por D. João II. Trezentos anos depois, a partir de 1760, a propriedade foi adquirida pela família do Marquês de Pombal, e segundo dizem, por causa da paixão dele pelos vinhedos da Quinta, foi que teve motivação para criar a Companhia das Vinhas do Alto Douro, parte fundamental da estratégia da criação da DO Douro.

Atualmente a propriedade é do Grupo Parras Vinhos, do empresário Luís Vieira, e além da linha de vinhos de perfil moderno e internacional tintos, brancos e rosés e um espumante com a marca Quinta do Gradil, produz o 3 Podas, uma aposta de Vieira com seus amigos apresentadores do programa Fora do Cinco, da emissora de radio Antena3, lançado na colheita de 2015, além de outras marcas.

Mas vai mais além, produzindo azeites (foto a visssão alto cima), um vinho colheita tardia, aguardente, algumas compotas e uma cerveja, com o espantoso nome de Xana, que homenageia uma lendária amante do Marques de Pombal. (Acho que os portugueses não sabem, mas “xana” no Brasil é um dos nomes dados à vagina feminina. Ou será que eles sabem?)

A Quinta é muito bonita e inclui uma capela nobre, um núcleo habitacional, um moinho, um aqueduto, uma adega, um Palácio Setecentista, uma loja e uma área agrícola de 200 hectares com produções vinícolas e frutícolas, além da área industrial.

Os vinhedos ocupam 120 hectares com as castas portuguesas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Arinto, Viosinho, Alfrocheiro, Touriga, mas também com uvas internacionais como Tannat, Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon,syrah, Chardonnay e Petir Verdot – veja as fotos abaixo, com meu guia Bruno Gomes e uma cena primaveral na Quinta.

Você pode escolher diferentes passeios, entre 8 e 25 Euros, mas não deixe de fazer a degustação dos vinhos da casa e provar o cardápio do restaurante, que além de muito charmoso, é muito badalado. Veja alguns dos recantos do restaurante nas fotos abaixo.

Prove os top de linha Reserva e os rótulos com edição limitada, que podem ser Tannat, Syrah ou o delicioso Verdelho, caso não estejam esgotados. Fui recebido por Bruno Gomes, responsável pelo enoturismo da Quinta do Gradil e além da fantástica degustação horizontal com cardápio de primeira classe, provei também a simpatia e elegância da casa, e posso garantir que é um ambiente perfeito para relaxar de alguns dias em Lisboa.

Aliás, muitos dos visitantes do Gradil são lisboetas que procuram o ambiente tranquilo e bucólico da região e a enogastronomia de qualidade da quinta. Faço um brinde aos amigos do Gradil e ao visionário Marquês do Pombal – tim-tim!

PS: O passeio à Quinta do Gradil pode ser complementado por uma visita aos moinhos de vento de Miguel Luis Evaristo Nobre, o único artesão certificado no oficio de restauro e manutenção de moinhos de vento em Portugal (foto acima). Os moinhos ficam na Serra do Montejunto, de onde você pode apreciar a bela vista da região do Cadaval do alto da montanha e vivenciar esta interessante experiência turística.

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