Conheça as mulheres vinhateiras da Casa Ermelinda Freitas, Portugal, e suas barricas cor de rosa, seus jardins elegantes e vinhos premiados

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

Estimada leitora ou leitor, as mulheres estão cada vez mais presentes em postos de comando mundo do vinho, o que é ótimo e também lógico, porque as mulheres tem sensibilidade e gosto mais apurados, são mais dedicadas e cuidadosas e geralmente estabelecem melhores relacionamentos interpessoais. E sutileza, bom gosto e harmonia são caracteristicas que levam ao sucesso no negócio dos vinhos. E isso fica claramente demonstrado quando se conhece a Casa Ermelinda Freitas, que ilumina barris de carvalho com luzes cor de rosa (abaixo) e tem um belo jardim simples e prático na recepção dos turistas, mais abaixo.

Esta vinícola de Fernando Pó, Águas de Moura, no concelho de Palmela, Portugal, é uma das grandes da Peninsula de Setúbal. Fundada em 1920, tem atualmente Leonor Freitas, representante da quarta geração de mulheres, no comando – e que vem fazendo uma revolução na empresa. Dos 60 ha com uvas Castelão e Fernão Pires em 1999, os vinhedos hoje somam 445 ha com 9 castas tintas e 7 brancas.

Filha da segunda Ermelinda da familia, Leonor Freitas (foto abaixo) modernizou a adega, apostou na qualidade e na imagem dos vinhos, investiu na exportação e transformou a empresa numa marca de respeito. E sua filha Joana já trabalha duro para continuar o trabalho das vinhateiras Freitas, então na quinta geração.

A Casa Ermelinda Freitas está presente no Brasil há muito tempo, importado pela Orion Vinhos – aliás, em novembro de 2016 foi atingida a marca de 200 mil garrafas comercializadas no país. A coleção de prêmios é impressionante, e alguns destes diplomas preenchem a bela sala de visitas, que também conta uma pequena história da cortiça, como dá para ver nas fotos abaixo.

Pois no começo de outubro visitei a Casa Ermelinda Freitas e pude degustar alguns de seus (ótimos) vinhos. Guiados por Henrique Soares, o dinâmico presidente da CVR da Península de Setúbal, eu e os jornalistas Jószsef Kosárika, da Hungria e Otto Blatzer, da Áustria, fomos recebidos por Hilário Ribeiro, coordenador de exportação, o sorridente rapaz de azul, na foto abaixo.

Visitamos parte dos vinhedos, a coleção de videiras que reúne diversas variedades de uvas (foto bem acima), a adega modernizada sob o comando do enólogo Jaime Quendera com capacidade para fermentação de 8 milhões de litros em cubas de inox, a linha de engarrafamento e outros setores. Visitamos a loja, e depois, é claro, fizemos uma degustação de cerca de 10 rótulos.

Entre outros rótulos (acima), degustamos um Petit Verdot Reserva, o Dona Ermelinda DO Palmela Tinto Reserva acho que safra 2013 (o melhor para meu gosto pessoal, muito macio e de final muito agradável), um Alicante Bouschet Reserva, um Syrah Reserva e um corte de Sauvignon Blanc com Verdelho, além do Moscatel Peninsula de Setubal e do fabuloso Moscatel Roxo Superior (foto abaixo).

Não provei os rótulos Terras do Pó e Dona Ermelinda, outra das marcas da vinícola, também com muitos prêmios, que podem ser conhecidos na coleção-arquivo da empresa – veja na foto abaixo.

Confesso que não sabia muito sobre os vinhos da Peninsula de Setubal, conhecida internacionalmente pelos vinhos Moscatel de Setúbal (a principal DO da região e a segunda mais antiga de Portugal, demarcada em 1908) e Moscatel Roxo (também DO). O Moscatel de Setúbal 1947 da José Maria da Fonseca, produtor mais antigo da região, por exemplo, recebeu pontuação máxima (100 pontos) do Robert Parker.

Mas esta visita ampliou meus horizontes. E por falar em horizontes, a Peninsula de Setúbal, limitada ao norte com o estuário do rio Tejo (e do outro lado do rio com a Grande Lisboa), com o Oceano Altântico (e a Serra da Arrábida) e com o Alentejo, é também um local diferenciado para fazer turismo que vai além dos vinhos e da gastronomia. Aliás, anote uma dica de restaurante: Dona Izilda, na rua da Serrinha, rodovia N379, entre Quinta do Anjo e Palmela, um espetáculo de opções e sabor. Abaixo, uma parte da Rota do Vinho da Provincia de Setúbal.

Produtores como Bacalhôa, Herdade da Comporta, Adega Cooperativa de Pegões, Soberanas e a Casa Agricola Horácio Simões estão investindo em uvas internacionais que vão além do Moscatel, com denominações Palmela (DO) e Peninsula de Setubal (DO). Este movimento de internacionalização tem o apoio da CVR da Península de Setúbal e os vinhos hoje estão em vários países, com destaque para Angola, Brasil, Canadá e China, Escandinávia e Inglaterra. Aliás, a região exportou, até setembro deste ano, três milhões e 729 mil litros de vinho, um aumento de mais de um milhão de litros face ao mesmo período em 2016. E o Brasil, depois da Angola, é o maior mercado.

Saiba mais:

CVR Peninsula de Setubal:  http://www.vinhosdapeninsuladesetubal.pt/CVRPS/Vinhos-Moscatel.aspx

Rota dos vinhos da Peninsula de Setúbal: http://www.rotavinhospsetubal.com/

Casa Ermelinda Freitas: http://www.ermelindafreitas.pt/

Importador Orion Vinhos: http://www.orionvinhos.com.br/

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