Um brinde à DFJ Vinhos, de Quinta da Fonte Bela, Cartaxo, região de Lisboa, pouco conhecida, mas uma das mais premiadas vinícolas de Portugal

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel

Prezado leitor ou leitora, em dezembro de 2016 tive a oportunidade de visitar uma das vinicolas menos conhecidas (pelo menos no Brasil), mas mais premiadas de Portugal, a DFJ Vinhos, de Cartaxo. Pouco se ouve falar desta vinícola por aqui, mas recentemente ela foi indicada pela revista norte-americana Wine Enthusiast como uma das cinco melhores empresas europeias de vinhos de 2017, ao lado da Domaines Schlumberger (França), Dr. Loosen (Alemanha), Fontanafredda (Itália) e González Byass (Espanha). E certamente isso não foi um acaso porque neste ano de 2017 a DFJ Vinhos recebeu um total de 464 prêmios (quase todos em concursos internacionais), totalizando 2.070 premiações desde o ano 2010!

Tive a oportunidade de visitar a vinícola, degustar os vinhos e conhecer a adega em Quinta da Fonte Bela, Cartaxo, Portugal, levado por José Arruda, o ativo diretor da AMPV – Associação dos Municipios Portugueses do Vinho, que se orgulha da empresa porque ela fica no Concelho de Cartaxo, onde fica também a sede da AMPV.

Além da visita conversei e brindei com o enólogo-chefe e proprietário, o Eng.º José Neiva Correia (aliás, autor de um belo livro de gastronomia que recebi de presente), seu filho Vasco Neiva Correia e o diretor de exportação (na foto de abertura, eles com José Arruda e Sonia Fonseca), na belissima sala de degustações e de visitantes, onde são recebidos compradores do mundo inteiro (fotos acima e abaixo).

Criada em 1998 e atualmente produzindo uvas em 400 ha de vinhas, especialmente na região de Lisboa, mas também no Douro e Tejo, a DFJ Vinhos produz seis milhões de garrafas de 40 marcas e 110 vinhos diferentes, exportando mais de 98% da sua produção para 50 países. No Brasil algumas marcas mais conhecidas são importadas por três distribuidores, entre elas a Casa Aragão (marcas Bigode e Consensus); Lusitano Import (Paxis, Casa do Lago e Patamar Reserva) e a NOR-Import Comercial De Alimentos Ltda (que trabalha com o Pedras do Monte, o DFJ e o Vega Douro).

Sediada na Quinta da Fonte Bela, entre o Vale de Santarém e Valada, a pouco mais de meia hora de Lisboa, a DFJ Vinhos ocupa uma propriedade que já foi uma das mais célebres e vastas propriedades da zona sul do país, que produzia, em finais do século XIX, aguardente vínica destinada à produção de vinho do Porto.

A área produtiva ocupa 8.000 metros quadrados de área coberta de construções em pedra com armazéns, destilaria e uma imensa adega (fotos abaixo) com mais de vinte metros de pé-direito e cubas de inox e madeira com capacidade para 2,5 milhões de litros; existe uma outra, adega desativada, considerada a maior adega de tonéis de madeira de Portugal.

A outra propriedade da empresa é a Quinta de Porto Franco, no Alenquer, onde o proprietário e principal enólogo, José Neiva Correia nasceu, e onde se encontra um centro de vinificação para mais de 2 milhões de litros. As vinhas foram recentemente refeitas e tem uvas Alfrocheiro, Moscatel, Arinto, Aragonês, Castelão, Fernão Pires, Tinta Roriz e Tourigas, uma vinha nova de Alicante Bouschet, Syrah, mas também Alvarinho, Caladoc (uma casta que ele introduziu em Portugal, resultado do cruzamento entre Grenache e Malbec) e até a Pinot Noir, uma casta dificil de ser trabalhada.

Além dessas, a empresa vem produzindo vinhos diferenciados na Quinta do Rocio, um projeto mais recente e inovador, resultado de uma parceria entre a DFJ Vinhos e Tomás Sanches da Gama, proprietário de uma das mais belas e nobres propriedades de Alenquer, vizinha da Quinta de Porto Franco, e que teve o plantio das suas primeiras vinhas no ano de 1503, quando o proprietário era o navegador Pedro Álvares Cabral – sim, o descobridor do Brasil!

Além dos excelentes vinhos e seu recorde de prêmios (na foto acima, algumas das marcas premium), me chamou atenção também o trabalho de uma área de tanoaria da empresa que compra, recupera e utiliza barris e toneis de carvalho frances ou americano. Além de recuperar os barris – sem prego ou cola, evidentemente, apenas com tosta – a DFJ Vinhos também ensina jovens aprendizes na atividade.

Pois Torres Vedras e Alenquer foram eleitas, em conjunto a Cidade Europeia do Vinho 2018, o que, evidentemente, deve aumentar a divulgação da região e agregar ainda mais valor aos vinhos da DFJ e as criativas invenções enólogas de José Neiva Correia. Tim-tim!

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