Villa Fitarelli, a aldeia colonial italiana do Século XIX que é um Museu na Serra Gaúcha, agora é a estrela de um filme nos cinemas do Brasil

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel

Meu querido leitor ou leitora, uma das belezas turísticas que conheci no Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, vai estar a partir de março nas salas de cinema do Brasil: a Villa Fitarelli, uma vila colonial italiana do final do Século XIX montada e restaurada para ser um Museu Etnográfico que se tornou, sem dúvida nenhuma, o mais importante do Brasil.

A Vila Fitarelli é uma propriedade localizada em Garibaldi, a capital brasileira do vinho espumante, que vem sendo implantada há 35 anos pelo ex-veterinário, empresário, restaurador e descendente de italianos, Luiz Henrique Fitarelli.

Passei uma tarde lá com o próprio Fitarelli (foto acima), conhecendo todos os espaços, ouvindo histórias e esperando o por do sol. Hoje a Vila que encanta os visitantes é um conjunto de antigas casas de madeira restauradas compradas de colonos da região, cercadas por araucárias e pequenos bosques de mata atlântica, com extenso gramado no qual pastam tranquilas ovelhas para compor o ambiente rústico que encanta os visitantes – veja na foto de abertura uma parte da área. Nesta propriedade funcionam duas unidades de negócios: o Antiquário Villa Fitarelli e o Museu Etnográfico da Imigração Italiana.

O Antiquário foi criado há mais de 15 anos e atualmente conta com um surpreendente acervo de mais de 700 móveis como vitrines, louceiros, cômodas, criados, baús, guarda-roupas, mesas, portas; objetos de decoração, fotos e inúmeros objetos ligados a atividades dos imigrantes, incluindo a atividade vitivinicola na região.

Luiz Henrique Fitarelli tem extremo bom gosto na procura e aquisição das peças e a restauração é realizada como arte por profissionais especializados usando ferramentas antigas recuperadas e novas, garantindo qualidade e autenticidade – as vezes ele mesmo quer realizar o trabalho (foto abaixo). Na verdade muitas das peças do Antiquário deveriam estar no Museu, mas Fitarelli precisa manter a Vila e o Museu.A idéia de construir o Museu Etnográfico da Imigração Italiana surgiu, como me disse Luiz Henrique, da necessidade de expor a coleção de peças iniciada há mais de 30 anos por ele e que continua crescendo, em uma lógica da vida real dos colonos na época – aliás, isso é que caracteriza um museu etnográfico. “Essas coisas são assim: quando eu encontro uma peça que tenha identidade para participar do Museu ou do Antiquário, não resisto e se puder faço uma oferta por ela. Se der negócio acabo comprando”, me disse o colecionador.

O acervo que iniciou com pequenos objetos pertencentes a seus avôs, Tercílio Accorsi, ferreiro, e Pedro Fitarelli, tanoeiro e agricultor, hoje inclui mais de 7.000 peças distribuídas em diversas construções que formam o Museu: uma ferraria, capela, casa com armazém, moinho, jardins, tanoaria, marcenaria, cantina, estrebaria e a “Casa de Pedra”, onde funciona uma aconchegante cozinha colonial, na qual recentemente foi rodado um capitulo do programa “Estrelas do Brasil” comandado pela Angelica na Rede Globo de Televisão.

Todas as construções respeitam as técnicas construtivas e os materiais utilizados pelos imigrantes – e da mesma forma, as peças usadas na reconstituição dos ambientes são originais, possibilitando o funcionamento de todos os segmentos do Museu. A vila tem vida e com pequenas adaptações poderia até mesmo ser habitada.

Pois agora este cenário de encantamento está indo para as telas do cinema: as produtoras Epifania Filmes, Teimoso Filmes e Artes, Globo Filmes e GloboNews realizaram um longa-metragem sobre a Vila Fitarelli, o documentário “Prá Ficar na História”. Já havia sido feito um documentário menor que foi apresentado na RBS TV, a Rede Globo no Rio Grande do Sul, que foi a base deste longa; na verdade a vila atrai produtores e diretores de cinema, como Selton Melo, na foto abaixo com Fitarelli.

O documentário “Prá Ficar na História” (veja o cartaz abaixo), dirigido pelo gaúcho Boca Migotto acompanha Luiz Henrique Fitarelli durante 17 dias e teve imagens captadas em Garibaldi e nas cidades italianas de Lentiai, Marostica, Canal San Bovo e Padova. “Levamos nosso protagonista para o norte da Itália, região de onde vieram seus antepassados e para onde ele faz o caminho inverso, em busca de suas origens”, diz o diretor Boca Migotto.

A produção tem pré-estreia em Garibaldi no dia 3 de março, em uma sessão a céu aberto, e estréia comercialmente no Brasil dia 8 de março, com uma sessão para convidados especiais em Porto Alegre. Em breve no resto do Brasil.

Uma dica: o atendimento para os interessados no antiquário é diário, inclusive finais de semana, mas preferencialmente com hora marcada pelo telefone + 55 54 3462-3184. O site é http://villafitarelli.com.br/index.html . Luiz Henrique Fitarelli merece esse destaque por sua bravura na manutenção do acervo histórico e cultural dos imigrantes italianos na serra gaúcha. Ele é teimoso e vivo – como diziam o poeta Nei Duclós e o músico Raul Ellwanger, dois gaúchos de talento de quem também tenho saudade.

Brindo a isso, ao talento dos gaúchos.

 

 

2 Comentários


  1. Obrigado pela citação do meu poema, publicado pela L&PM no livro No Meio da Rua em 1979. Estou em todas as midias sociais. Vamos navegar em sintonia abs.

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    1. Nei, lembro sempre outro poema teu porque em outubro (meu aniversário)descubro como é pequena a distância que me separa da infância.
      Grande abraço, Rogerio.

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