Original manuscrito da “Ode ao Vinho”, de Pablo Neruda é colocado na Caixa de Letras do Instituto Cervantes, em Madri

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Por Rogerio Ruschel

Meu prezado leitor ou leitora, veja aqui mais uma demonstração de que a cultura e o vinho andam de mãos dadas, como patrimônios que permanecerão como legados de nossa rápida existência. A Caixa das Letras do Instituto Cervantes comemorou esta semana sua primeira década como uma cápsula do tempo que mantém legados doados por personalidades da cultura espanhola. Nela, 32 escritores, artistas, músicos, cientistas, cineastas e atores depositaram itens pessoais que são testemunho e lembrança de sua história de vida. Abaixo, o manuscrito.

Pois desde 13 junho de 2018 também será um lugar dedicado à cultura do vinho porque, através da colaboração do Instituto Cervantes, da Fundação Cultura do Vinho Vivanco e da Federação do Vinho da Espanha, o poema original (foto acima) do poeta chileno Pablo Neruda, Premio Nobel em 1971, foi depositado na caixa 1458 como o primeiro legado que representa a cultura do vinho na caixa de Letras (foto abaixo).

O Instituto Cervantes é uma agência do governo espanhol dedicada a promover o estudo e o ensino da língua e cultura espanholas; no Brasil possui oito unidades. A abertura da Caixa está prevista para 13 de junho de 2020. Na foto abaixo o presidente do Instituto Cervantes, Juan Manuel Bonet, e o presidente da Federação do Vinho da Espanha, Miguel Torres, assinam um compromisso que vai levar a cultura do vinho da Espanha a todas as unidades do Instituto Cervantes do mundo.

Pablo Neruda (1904-1973), cujo nome verdadeiro era Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto, foi consul do Chile na Espanha entre 1934 e 1938, era apaixonado pela Espanha e escreveu muitas odes ao amor e aos encontros, como os proporcionados pelo vinho. A “Ode ao Vinho” foi publicada no livro Odes Elementares do inicio dos anos 1950, é pungente e curta. Eu a publico abaixo para homenagear a poesia, a cultura e o vinho. E meus queridos leitores ou leitoras que gostam de elegância, classe e beleza.

Vinho cor do dia
vinho cor da noite
vinho com pés púrpura
o sangue de topázio
vinho,
estrelado filho
da terra
vino, liso
como uma espada de ouro,
suave
como um desordenado veludo
vinho encaracolado
e suspenso,
amoroso, marinho
nunca coubeste em um copo,
em um canto, em um homem,
coral, gregário és,
e quando menos mútuo

O vinho
move a primavera
cresce como uma planta de alegria
caem muros,
penhascos,
se fecham os abismos,
nasce o canto.
Oh tú, jarra de vinho, no deserto
com a saborosa que amo,
disse o velho poeta.
Que o cântaro do vinho
ao peso do amor some seu beijo.

Amo sobre uma mesa,
quando se fala,
à luz de uma garrafa
de inteligente vinho.
Que o bebam,
que recordem em cada
gota de ouro
ou copo de topázio
ou colher de púrpura
que trabalhou no outono
até encher de vinho as vasilhas
e aprenda o homem obscuro,
no ceremonial de seu negócio,
a recordar a terra e seus deveres,
a propagar o cântico do fruto.

 

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