A riqueza das experiências e aprendizados do 7º Congresso Latino-Americano de Enoturismo de Bento Gonçalves – Primeira Parte

Tempo de leitura: 5 minutos

Por Rogerio Ruschel

Meu prezado leitor ou leitora, vou parecer repetitivo, mas preciso dizer que o enoturismo já é considerado um excelente negócio sob todos os pontos de vista: econômico, cultural, social e ambiental. Divulga a história, cultura e folclore da comunidade; valoriza a paisagem, a funa e flora e os ambientes rurais; gera empregos na agricultura, em serviços de turismo, na gastronomia e na produção de artigos coloniais – de queijos a geléias, de brinquedos a têxteis; ajuda a reduzir a quase invevitável migração dos jovens para as cidades. Ao vender até cerca de 40% da produção de vinhos no balcão, o enoturismo permite aumentar a margem de lucro dos produtores, permite que pequenos produtores cheguem ao mercado e aumenta a fidelidade a marca, o que no marketing do vinho é excepcionalmente bemvindo.

Por essas e outras razões é que foi realizado o 7º Congresso Latino-Americano de Enoturismo, entre os dias 27 e 30 de junho, no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves (RS), sob o o tema “Território, Vinho e Turismo: harmonização que dá certo”. O evento foi promovido pela Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur), Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul e contou com o apoio do Sebrae/RS e da Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale).

Fiz a cobertura jornalística do evento a convite do Ibravin e da Aenotur e destaco aqui algumas das experiências e aprendizados que foram compartilhados pelos 18 palestrantes, as quatro visitas técnicas e também pelos participantes, nos debates e eventos sociais. Este é o quarto congresso internacional realizado pela Aenotur do qual participo e posso garantir que foi um dos melhores em termos de conteúdo – talvez pelo fato de que o trade de enoturismo está de fato evoluindo.

Ninguém faz nada sozinho. Parece óbvio – e é óbvio – mas ainda existem dirigentes de vinícolas, gestores públicos e atores comerciais e sociais que querem fazer tudo sozinhos. Esta lição veio de praticamente todos os palestrantes. Mas seus resultados ficaram claramente evidenciados quando a norte-americana Liz Thach, professora e autora de oito livros sobre vinho e enoturismo, mostrou que a união entre os interessados e o foco no marketing transformou as regiões vinicolas Napa e Sonoma Valley, da Califórnia, numa indústria do vinho que emprega 325 mil californianos e fatura US$ 57,6 bilhões por ano.

Aprender com experiências bem-sucedidas é mais rápido, inteligente e econômico. Vários palestrantes apresentaram roteiros de melhores práticas. Diego Bertolini, gerente de promoção do Ibravin apresentou estratégias de fidelização do consumidor através da venda direta ao visitante – o que foi demonstrado com os casos práticos apresentados por Marçal Duarte Velho, da Vinícola Jolimont (pequena adega que fidelizou oito mil clientes com e-commerce) e Rogerio Valduga, da Vinícola Torcello, que além de boas vendas vem conquistando excelente avaliação dos turistas através do Trip Advisor. Na foto abaixo, a visita a Salton, uma das vinícolas visitadas.

Devemos pesquisar, pesquisar, pesquisar – e fazer bem feito. Todas as apresentações mostraram que fazer o marketing bem feito é apenas o básico em qualquer atividade e também no enoturismo. Amanda Bonotto Hoffmann Paim, coordenadora de projetos de Turismo do Sebrae-RS, apresentou resultados de uma pesquisa que analisou o potencial turistico do Pampa Gaúcho e as propostas e ideias derivadas deste estudo. Como sabemos, as definições de marketing começam com o conhecimento do ambiente e das necessidades dos consumidores potenciais.

Mas não basta fazer bem feito, é preciso inovar, diferenciar. Nada cai no céu, tem que correr atrás, investir. Guillermo Barletto, diretor de enoturismo do departamento de Las Heras em Mendoza, Argentina, mostrou um resumo histórico de 30 anos do eficiente perfil promocional do destino, para mostrar que o sucesso dos vinhos e do enoturismo em Mendoza não surgiu por acasao. É preciso focar no segmento, posicionar o produto, identificar o alvo. Hortencia Ravache Brandão Ayub mostrou como isso vem sendo feito na Vinicola Campos de Cima, na campanha gaúcha, onde gaúchos pilchados, com bombacha e chimarrão, são parte do ambiente da produção vinicola e encantam os visitantes. Na foto abaixo um pouco da confraternização num dos eventos sociais – e mais uma demonstração de que as mulheres estão cada vez mais participantes da atividade.

No encerramento, o diretor de Relações Institucionais do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Carlos Paviani, destacou como pontos fundamentais para o fortalecimento da atividade no país a mudança do Decreto 27048/49 para que seja regulamentado o trabalho aos domingos; a criação de uma Rede Brasileira das Cidades do Vinho; a implantação de uma certificação das vinícolas para o enoturismo; o fortalecimento e a institucionalização da Associação Internacional do Enoturismo (Aenotur); e a busca por financiamentos para investimentos na estrutura turística dos empreendimentos.

Ivane Fávero, presidente da Aenotur (na foto acima com palestrantes), encerrou o evento anunciando que o Congresso Latino-Americano de Enoturismo se revezará com o evento europeu, com realização nos anos pares na América e, nos ímpares, na Europa, mas sempre de forma integrada. As próximas edições latinas serão realizadas no Chile (2020), no Uruguai (2022) e, novamente no Brasil em 2024, com apresentação do pedido de Vila Flores, um convento e viniciola de padres capuchinhos da Serra Gaúcha, para sediar os debates. Espero participar para manter você bem informado.

O evento teve o patrocínio do Spa do Vinho Autograph Collection Hotel e Prefeitura de Bento Gonçalves e apoio institucional do Sebrae, Vale das Vinhas, Bento Convention Bureau, Viaggiotur e Giordani Turismo.

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