Conheça o primeiro vinho brasileiro com certificação de boas práticas em todo o ciclo produtivo: é um Chardonnay da Vinícola Ravanello

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Texto de Viviane Zanella, da Embrapa Uva e Vinho, editado por Rogerio Ruschel

Meu prezado leitor ou leitora preocupado com a sustentabilidade, receba esta boa notícia: a Vinícola Ravanello, do município de Gramado (RS), é a primeira vinícola brasileira a apresentar o selo da Produção Integrada em seus rótulos, uma certificação que atesta o emprego de boas práticas agrícolas e de produção; participam do projeto a Cooperativa Nova Aliança, as vinícolas Almadén, Luiz Argenta, Perini e Santa Maria que em breve devem também ser certificadas. A vinícola Ravanello é a primeira empresa não só do vinho, mas de todo o setor agrícola a ter este selo que assegura que o produto cumpriu uma série de quesitos que vão desde a redução do uso de químicos na lavoura até a preocupação com a saúde do trabalhador e a sua capacitação, entre vários outros itens que dão segurança ao consumidor.

A Produção Integrada de Uva para Processamento foi desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho em parceria com as vinícolas e instituições de pesquisa, de extensão e do setor produtivo, como a Emater – Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Governo do Rio Grande do Sul, Tecnovin do Brasil e tem a chancela do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia.

Fundada em 2005 para produzir espumantes e vinhos finos de alta qualidade como uma vinícola butique, e oferecendo serviços de gastronomia e ambiente para reuniões empresariais, a Ravanello (foto acima) foi a primeira vinícola do Brasil a ser certificada; seu vinho Chardonnay e um assemblage de Merlot e Cabernet Sauvignon, elaborados na safra 2017/18, vão receber o certificado e a autorização do Instituto de Avaliação da Qualidade de Produtos da Cadeia Agro Alimentar (Certifica) para a impressão de selos da Produção Integrada para as garrafas.

Segundo Normélio Ravanello, diretor da Vinícola (foto acima), que por sete anos foi presidente para a América Latina da empresa de equipamentos agrícolas Massey Fergunson, a conquista da Produção Integrada foi planejada a longo prazo, e nasceu da preocupação em produzir de forma sustentável. “O selo simboliza o respeito que temos pelo meio ambiente e pela saúde das pessoas, por meio da cultura do vinho”. Ele comenta que a escolha das uvas melhor adaptadas ao clima de Gramado, a aquisição dos equipamentos de última geração e a assessoria de profissionais competentes foram fundamentais para o empreendimento. Um dos principais resultados da implantação do sistema foi a redução de 30% nos produtos aplicados no parreiral, apenas utilizando estratégias de monitoramento de insetos e a erradicação do uso de herbicidas.

A conquista do vinho certificado é o resultado de nove anos de pesquisas científicas, período no qual foi avaliado e validado todo o sistema de manejo da uva e o processo de elaboração da bebida. Segundo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Samar Velho da Silveira, que lidera o projeto de Produção Integrada, à medida que as normas propostas pela equipe técnica iam sendo avaliadas e validadas, as vinícolas parceiras já incorporavam as práticas em suas rotinas. “É um novo momento para os vinhos brasileiros”, comemora o cientista. Atualmente, o consumidor brasileiro ainda não reconhece a certificação de produção integrada como um diferencial, mas na opinião de Silveira “é uma questão de conscientização e de tempo”. Concordo com ele.

O sistema também leva em conta aspectos sociais da produção, como a saúde do trabalhador rural, isenção do uso de mão de obra infantil e o constante treinamento das pessoas. “O resultado final é uma garrafa de vinho com um selo que garante acesso a mercados exigentes e que possibilita a rastreabilidade de todo o sistema”, lembra Silveira. Todo o histórico da produção na propriedade fica registrado em documentos que são um dos materiais auditados pela certificadora. A vinícola pode adicionar um código de barras ou um código QR ao rótulo para que essas informações possam ser visualizadas pelo consumidor por meio de seu aparelho celular ou tablet.

No Brasil, a viticultura ocupa uma área aproximada de 82,5 mil hectares, produzindo anualmente em torno de 1,34 milhão de toneladas de uvas. Quem sabe com inovações como essa nos próximos 10 anos nossa vitivinicultura consiga se qualificar para integrar um projeto maior de Agricultura de Precisão que realmente possa agregar valor a nossos vinhos! Ainda não provei os vinhos do seu Normélio, mas não devem ser bons.

Brindo a Vinícola Ravanello e seus parceiros por seu pioneirismo e carinho com a cultura do vinho: tim-tim.

Conheça a Vinícola Ravanello: http://www.vinicolaravanello.com.br/vinicola.html#top_vinicola

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