Visita, degustação e sabragem: comemoração à la Napoleão Bonaparte no Congresso Latino Americano de Enoturismo da Aenotur

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Por Rogerio Ruschel

Meu caro leitor ou leitora, na semana passada, aos 65 anos de idade, fiz minha primeira sabragem. Não, não é sacanagem o que fiz, é sabragem, a técnica de abrir uma garrafa de espumante, champanhe, cava ou proseco com uma adaga, espada – ou originalmente, um sabre, que é de onde vem o nome francês sabrage. Não se sabe quem inventou a sabragem, mas se sabe que no século XVII já era realizada, e que Napoleão Bonaparte adorava degolar garrafas de champanhe para comemorar suas vitórias. Dizem mesmo até que ele gostava de abrir garrafas de champanhe com o sabre na companhia de seus oficiais dizendo “Merecido nas vitórias e necessário nas derrotas”.

Pois minha primeira sabragem foi feita na Adega Chesini, em Vila Rica, Terceiro Distrito da cidade de Farroupilha, na Serra Gaúcha, onde estava participando de uma das atividades do 7o. Congresso Latino Americano de Enoturismo, realizado em Bento Gonçalves, no Vale dos Vinhedos. Ivane Favero, presidente da Associação Internacional de Enoturismo (Aenotur) organizadora do evento, levou um grupo de palestrantes, lideranças brasileiras e dirigentes de entidades internacionais de enoturismo para conhecer, degustar e jantar na Adega Chesini. Na foto acima parte do grupo masculino dos visitantes e na foto abaixo algumas das senhoras.

Depois da visita e da degustação dos ótimos vinhos tintos (Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat), brancos (Moscato) e licorosos (produzidos para missas) da Chesini, e antes do jantar, brindamos com os espumantes Caves del Veneto. Então Ricardo Chesini, diretor da vinícola, resolveu homenagear a presença internacional de uruguaios, portugueses, chilenos e argentinos, além dos brasileiros, e sugeriu fazermos uma sabragem para comemorar. Voltou do escritório com um facão enorme e o ofereceu para mim.

Eu já sabia que a sabragem é feita com uma adaga pequena, com lâminas sem fio dos dois lados (veja foto acima), mas isso é para os fracos. Como bom gaúcho, a adaga que usei era na verdade um facão, o mesmo facão utilizado por Chesini na maior sabragem coletiva do mundo, realizada em Garibaldi no dia 8 de outubro de 2011 durante a Fenachamp, que mobilizou 196 sabragens ao mesmo tempo, com a qual aparece na foto deste registro publicado no Guiness Book – veja abaixo.

Carlos Paviani, diretor de Relações Institucionais do Ibravin, me ensinou como fazer a sabragem com segurança: retira-se a cápsula e a gaiola de arame da garrafa; segura-se a garrafa na base com o dedo polegar no fundo; inclina-se a garrafa para frente e para cima; com a mão direita se segura o sabre e num golpe firme desliza-se a lâmina contra o bico da garrafa. E voilá, nossa Cave del Veneto se rompeu e todos comemoramos. Soube que se pode beber o vinho que foi sabrado, porque a alta pressão do líquido na hora do corte (6 atmosferas) impede que fragmentos de vidro entrem na garrafa. É impressionante ver como a rolha ficou presa no gargalo do vinho, veja abaixo!

Gonzalo Merino, coordenador de Enoturismo da Bodegas de Argentina, conseguiu fotografar meu momento da sabrador – veja na foto que abre esta matéria. Pois é, meu caro leitor ou leitora, na semana passada, aos 65 anos de idade, fiz minha primeira sabragem. Considerava perigiso, mas agora acho que, tomando-se as precauções necessárias, todo apreciador de vinhos deveria ter o direito de fazer pelo menos uma sabragem na vida, porque é divertido e uma forma de romper as limitações quotidianas e de comemorar uma vitória. Nem que a vitória seja contra o seu receio de não conseguir fazer a sabragem, como confesso que era meu caso…

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