Conheça Paricatuba, a grandiosa hospedaria para imigrantes italianos do século XIX que foi engolida pela floresta amazônica

Tempo de leitura: 3 minutos

Texto e fotos de Dayane Casal (*) com edição de Rogerio Ruschel

Meu estimado leitor ou leitora, se você mora no Brasil sabe que a Amazônia é mesmo muito grande, e se você mora fora do Brasil acredita que a Amazônia tem muitos segredos. Pois a Amazônia é grande, sim, e tem muitos segredos. Paricatuba é um deles. Paricatuba significa em idioma indigena, “local de grande concentração de Paricás”, uma erva alucinógena utilizada em rituais indígenas. Aliás, isso me lembra do filme Medicine Man, traduzido como O Curandeiro da Selva, de 1992, no qual Sean Connery, no papel do Dr. Robert Campbell, um recluso cientista pesquisador vivendo com uma tribo de índios brasileiros, descobre um extrato de flor que cura o câncer, mas perde a luta contra madeireiros e a própria natureza amazônica. O que é quase o caso de Paricatuba.

Pois você vai conhecer agora as Ruínas do Paricatuba, o testemunho de uma história de conquista e perda. Convidei a amazônida Dayane Casal para contar esta história; veja seu relato.

“As Ruínas do Paricatuba são o que restou de uma construção suntuosa no coração da maior floresta tropical do mundo, a Amazônia. Veja a maquete abaixo. Esse patrimônio histórico e arquitetônico, localiza-se na Vila do Paricatuba, município de Iranduba, as margens do Rio Negro, no estado do Amazonas, 40 minutos de Manaus, capital do Amazonas – veja o mapa acima. Essas ruínas fazem parte da história econômica, cultural e arquitetônica do estado do Amazonas. O início de sua construção foi ao final do século XIX, em 1898, quando a propriedade foi utilizada como hospedaria para imigrantes italianos que vieram trabalhar no Amazonas, no ciclo econômico da borracha. Veja abaixo uma foto dos imigrantes na frente do prédio. Vale lembrar que nesta época a capital do Amazonas, a cidade de Manaus, ficou conhecida como a Paris dos trópicos, porque o luxo imperava na capital.

Essa construção emblemática na época era um prédio suntuoso e imponente, tinha luxo e sofisticação, com janelas em estilo colonial, vasos de louça inglesa e tijolos e vigas portugueses de alta qualidade e durabilidade.

Poucos anos se passaram após a sua inauguração e com o declínio da borracha junto com a morte de muitos trabalhadores por malária e febre amarela, o prédio foi ficando abandonado, entregue à força da floresta.

Conforme alguns relatos históricos, alguns anos se passaram e chegaram na região padres espiritanos franceses que resolveram fundar ali o Liceu de Artes e Ofícios de Paricatuba, que também não prosperou devido à grande incidência de doenças.

Após a saída dos padres, o governo do Amazonas resolveu transformar o lugar em uma Casa de Detenção. E é claro que a sentença de morte já estava dada a quem ia para lá, imaginando a precariedade nos controles das doenças tropicais na época. A cadeia também não durou muito tempo e mais tarde o governo resolveu transformar o prédio em um hospital para receber os hansenianos.

Isso durou por muitos anos até que por total desinformação do método de contágio da hanseníase, o governo resolveu fechar e levar os pacientes para outro local, pois a população da capital comentava que a água do Rio Negro estava contaminada e que descia através da correnteza levando a doença até Manaus.

Após tudo isso esse prédio ainda foi um Colégio e também um Posto de Saúde , que por questões administrativas não prosperaram também .

Hoje as Ruínas do Paricatuba servem para contar um pouco da história do Amazonas e também para mostrar a força da natureza frente a intervenção humana.”

(*) Dayane Casal (acima) é uma amazônida apaixonada pela sua terra. Graduada em Medicina Veterinaria, tem MBA em Gestão Estratégica de Negócios, Mestrado em Biologia Urbana e é especialista em maturação de carne bovina. É enófila por paixão e diretora da Bacozon, uma Importadora de vinhos e produtos gourmet do mundo para a  Amazônia

1 Comentário


  1. Rogério Ruschel , um grande profissional da área do turismo internacional. Agradeço ao gentil convite , e me sinto honrada por contribuir com essas informações e imagens para suas publicações , sem dúvida pra mim é sempre uma satisfação mostrar a Amazônia, minha terra, com suas belezas imensuráveis e tão desconhecida ainda ao mundo . Temos a maior floresta tropical do planeta , nada no mundo se compara a beleza da Amazônia, minha eterna paixão !

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *