Os vinhos da Alsácia: uma arte de 2.000 anos

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)

O clima é especialmente benéfico para a produção de vinhos como já haviam se dado conta os romanos há mais de 2.000 anos, por conta da fertilidade do vale do Reno, da baixa precipitação pluviométrica (entre 400 e 500 milímetros de chuva por ano), da baixa altitude (entre 200 e 400 metros) e da proteção das montanhas Vosges. 
 
 

Registros informam que na Idade Média os vinhos da região já estavam na lista dos mais caros. Na região prosperaram cepas de uvas brancas (92%) influenciadas pela cultura germânica, e que geraram o conhecido Vin d’Alsace – cerca de 160 milhões de garrafas por ano. 

 

Destruídos durante a Guerra dos Trinta Anos, os atuais 15.548 hectares de vinhedos da Alsácia renasceram após o fim da Primeira Grande Guerra, vêm retomando sua importância na economia da França e aumentando a produção para exportar além dos 26% da produção atuais. Em 1945 foi adotada legislação de delimitação de áreas que criou as três Denominações de Origem Controlada: AOC Alsácia em 1962, AOC Alsácia Grand Cru em 1975 e AOC Crêmant da Alsácia em 1976.

Os vinhos brancos da Alsácia são especialmente secos e bastante frutados, produzidos com alta qualidade a partir de 6 cepas principais: Riesling, Pinot Blanc, Gewurztraminer,  Pinot Gris, Sylvaner e Moscatel. 

O Riesling é considerado um dos melhores do mundo por sua acidez e potencial de envelhecimento; a Pinot Gris, também originária desta região da Europa (e chamada de Malvoisie no Vale do Loire) é uma uva tinta utilizada para fazer vinho branco por seu açúcar.

Mas o Gewurztraminer, originário da região, com um sabor frutado e um pouco picante  – “Gewürz” significa “tempero” em alemão – me pareceu o que tem maior personalidade.Os alsacianos produzem também os crémants, uma versão de champanhe com sotaque germânico. 

A indústria do vinho na Alsácia se estrutura a partir de vinhedos de pequenos produtores (cerca de 4.700) no vale do rio Reno, na turística Rota do Vinho Alsaciano que começa no norte, em Marlenheim, próximo de Estrasburgo (capital, com cerca de 250.000 habitantes) e se estende para o sul por 170 quilometros até Thann, próximo de Mulhouse (segunda maior cidade, com 120.000 pessoas). 

O grande centro comercial vinífero e também o que tem maior densidade de vinhedos, o melhor micro-clima e terroir da região – razão pela qual concentra a maior produção de grand crus – é Colmar, terceira maior cidade da Alsácia, com cerca de 70.000 habitantes e terra de Frédéric Auguste Bertholdi, escultor e autor da Estátua da Liberdade de Nova Iorque. Esta rota pode ser feita por partes – e recomendo que o seja, para ser melhor apreciada – e se possível na época dos festivais do vinho, entre abril e outubro. 

Todos os vilarejos tem muitas caves de produtores de vinho. Pode-se degustar e comprar diretamente do produtor, com preços que variam de 5 a 14 Euros (brancos, crémants e grand crus), chegando a 25 Euros por um Gewurztraminer Vendages Tardive (colheita tardia) com 6 anos na garrafa. 

Não sou sommelier, mas garanto que com 8 Euros você compra ótimos rieslings, pinot gris ou sylvaners que não encontra com facilidade no Brasil – mas se encontrasse custariam até 6 vezes mais….

Apoiada na ancestral experiência de produção vinícola, a Alsácia tem mais de 30 Confrarias, grupos de profissionais que se dedicam à garantia de qualidade e promoção de reputação dos vinhos alsacianos. A mais antiga, a Confrérie Saint-Étienne, data do século XV. 

Em muitos vilarejos existem Museus do Vinho, mas a Escola de Vinhos, a Maison dês Vins D’Alsace e a grande Feira comercial ficam na cidade de Colmar, no entorno da CIVA – Conseil Interprofissionnel dês Vins D’Alsace (foto abaixo) – veja em http://www.vinsalsace.com/en/ disponível em oito idiomas, incluindo espanhol. Neste endereço é possível conhecer programas de visitação profissionais e solicitar guias de visita e anuários de produtores.

(*) Rogério Ruschel rogerio@ruscheleassociados.com.br  – é turista inveterado, jornalista e consultor especializado em sustentabilidade – http://www.ruscheleassociados.com.br/. Ruschel viajou à Alsácia por conta dele mesmo.

3 Comentários


  1. Ola Luis Amaral, você tem razão; o Gewurtztraminer e o Muscat alsaciano são excelentes. Tenho pesquisado por gewurtztraminers chilenos, brasileiros e argentinos, mas ainda não achei nada excelente. Se você achar, por favor me avise, ok? Grato, abs, Rogerio

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