14 meses de rodo-vinho: um brinde ao espírito de equipe da família Barros

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Horácio Barros e os filhos Pedro e Natália
Por Rogerio Ruschel (*)
O mineiro Horácio Barros e seus filhos Pedro e Natália já estão há 14 meses na Wine World Adventure, a volta ao mundo do vinho em 170 regiões vinícolas de 24 países, percorrendo 100.000 kms em um motor-home – veja http://www.wineworldadventure.com/
In Vino Viajas vai publicar posts com alguns dos melhores destinos de enoturismo desta que é a maior enovolta ao mundo. No post de hoje publicamos a segunda parte de uma entrevista exclusiva com Horácio. Veja a seguir.

 

In Vino Viajas – Vocês  já estão na estrada há 14 meses: não ficou cansativo depois de tanto tempo? Em algum momento alguém pensou em desistir?
Horácio – Sim. É barra pesada. Mas, tivemos a propriedade de tirar algumas férias. Definimos que durante o período de transporte do motor-home em navio, cada aventureiro fica liberado para viajar para qualquer país, sozinho. 
Isto foi ótimo e ocorreu quando o motor-home estava sendo transportado do Porto de Valparaíso, Chile para os Estados Unidos e o mesmo quando o navio partiu de New York para a Alemanha. Novamente isto ocorrerá quando o motor-home for colocado no navio, no final deste ano de 2013 da Grécia rumo a Austrália.

 

Além disso adotamos a estratégia de mudar de foco, ou seja após a visita de duas regiões vinícolas, escolhemos uma cidade turística para descansar, ir ao cinema, fazer coisas do dia a dia, como se não estivéssemos fazendo turismo. Turismo todo dia também cansa.

 

In Vino Viajas – Alguma passagem inesquecível, uma emoção do tipo “Valeu a pena” tanto esforço?
Horácio – Foram infinitas emoções. Talvez, poderia destacar a chegada a Ushuaia, Tierra del Fuego (veja abaixo), o ponto mais extremo do Hemisfério Sul. Era um sábado de carnaval. Colocamos um CD de uma música de escola de samba e entramos cantando e filmando nesta cidade. Chegar em Paris, foi outro momento mágico. Como todo enófilo que ama o mundo do vinho a França é a referência. Visitar suas cidades rurais onde a gastronomia se harmoniza com os vinhos gerados foi um aprendizado espetacular e gratificante.
 

 

In Vino Viajas – Em algum momento o grupo correu algum tipo de risco acima do que seria aceitável?
Horácio – Em termos de probabilidade de acidente rodoviário não tivemos nenhum percalço. Para dirigir um motor-home não é necessário pressa. E como temos todo o tempo do mundo, dois anos e meio de estrada, em reunião familiar decidimos manter um ritmo de velocidade média de 70 km por hora.
Como fato lamentável, enquanto estavamos visitando uma vinícola na cidade do Porto um ladrão entrou no motor-home e nos deu um prejuízo grande em equipamentos eletrônicos. Foi um momento difícil… Um momento de pergunta: O que estamos fazendo aqui? O que estamos fazendo longe de nosso conforto, de nossa casa, em Belo Horizonte? Para que este projeto? Cabeça no  lugar e partimos para a aquisição de novos equipamentos e colocamos uma pedra em cima deste lamentável fato. 

 

In Vino Viajas – Destaque dois ou três locais excepcionais para um enoturista – pelo menos até agora.
Horácio – Esta é uma tarefa difícil, pois existem lugares espetaculares, como Borgonha, Bordeaux, Napa Valey, Sonoma, Mendoza e Porto. Como os livros e a mídia já cantam em verso e prosa sobre estes lugares, gostaria de apresentar aos amantes do vinho uma região de viticultura espetacular, e pouco conhecida, Okanagan Valle, cerca de 300 km de Vancouver, no Canadá. Uma beleza natural espetacular.
  In Vino Viajas – Vinho está muito ligado a comida. Como vocês se preparam neste aspecto? Algum curso, algum de vocês é mais experiente ou tem mais “mão” para culinária?
Horácio – Esta pergunta é muito ampla e de resposta complicada. Conheço muito da teoria de harmonização, vinhos e comida. Entretanto, detesto um fogão, mas sei apreciar os bons pratos. Gostaria de enfatizar que antigamente os vinhos eram elaborados para harmonizar com a comida local. Atualmente, eles estão mais globalizados e consegue vários tipos de harmonização. 

 

Respondendo sua pergunta: não nos preparamos com cursos de culinária, raramente cozinhamos. Entretanto em cada país, em cada região pesquisamos sobre a comida típica de cada região e sub-região. Fomos aprendendo a cada proposta apresentada, com muitas vinícolas que oferecem degustação harmonizada. Desde o começo do projeto reservamos uma boa soma de dinheiro para ir em restaurantes por dois motivos. Primeiro, para não perder muito tempo em cozinhar e ter que arrumar cozinha, talheres panelas e pratos, segundo que um dos nosso objetivos além das degustações de vinhos era conhecer restaurantes inseridos no tema vinho, ou típico de cada região vitivinícola.

 

In Vino Viajas – Como vocês estão vivendo a “vida local”, devem estar aprendendo a harmonizar comidas locais com vinhos locais. Isto não poderia gerar outro tipo de conteúdo de interesse para o leitor?
Horácio – A grande arte de viver em um motor-home é a adaptabilidade aos costumes locais. Aproveitamos durante as visitas em cada região vinícola para conhecer os produtos locais e os tipos e estilos de vinhos que se adaptam a cada caso. E, isto se consegue nos livros, mas é muito mais gratificante estar no local onde é produzido um queijo ou um jamon iberico ou uma guloseima qualquer e escutar de cada “sommelier” sua experiência gustativa e de harmonização.
 O roteiro já percorrido na França
Veja aqui no In Vino Viajas outros posts de destinos de enoturismo da maior enovolta ao mundo preparados pelos viajantes da Wine World Adventure. Acompanhe o percurso diário deles pelo site
(*) Rogerio Ruschel, editor deste blog é jornalista, consultor especializado em sustentabilidade e admira muito o trabalho do Horácio Barros e familia.

 

 

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