Um brinde a Berna, nas montanhas da Suíça, Patrimônio da Humanidade, dos ursos e turistas

Tempo de leitura: 4 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)
Um turista comum, como eu e você, visita Berna por pelo menos uma de quatro razões principais: fotografar o belo centro histórico da cidade, tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco; fazer compras de produtos de alta qualidade como relógios, chocolates, roupas, canivetes e perfumes nos quase 6 km de arcadas, chamadas pelos moradores de “Lauben”; visitar os museus ou pelo menos o Zentrum Paul Klee, um museu modernoso com uma grande coleção das obras deste artista suiço; ou então a razão mais prosaica: conhecer o Parque dos Ursos.
Minha razão foram os ursos: minha filha Renata queria que eu os conhecesse, porque os ursos de Berna são um atrativo único na Europa. Segundo diz a lenda, Berchtold V, Duque de Zähringen, fundador da cidade, decidiu  nomear a vila que estava fundando no século XI com o nome do primeiro animal que ele visse quando estivesse caçando – e foi um urso.
Seja verdade ou não, o urso é o simbolo oficial da cidade e está na bandeira e nos simbolos heráldicos desde 1.220. Registros datados de 1.440 já mostravam que a cidade  protegia os ursos; no século XIX foi criada uma área formal para isso – o antigo “Fosso dos Ursos” – que em 2005 foi transformada no Parque dos Ursos (foto abaixo).
Em uma área de 6.000 m2 esses simpáticos animais podem escalar, pescar, brincar e se esconder dos turistas quando cansam. E os turistas podem se divertir vendo o quotidiano de ursos selvagens, tirando fotos de estátuas de madeira (como abaixo), brinquedos e, é claro, gastantado seus Euros nas lojinhas dos ursos.
Berna, capital da Suiça, é uma cidade pequena, mas globalizada: cerca de 25% dos 140 mil habitantes são estrangeiros atraídos pelas Embaixadas de cerca de 50 países. Esta exposição a diferentes culturas poderia ter modificado a cultura original desta comunidade suiça-germânica, mas não foi isto que aconteceu. Ela continua muito germânica e muito suiça, com aquela permanente sensação de que tudo sempre vai estar funcionando do jeito que deveria funcionar, assim como um relógio suiço!
Mas minha filha tinha razão ao dizer que tínhamos que ter pelo menos dois dias na cidade para aproveitar. Só em atrações culturais Berna tem 18 museus, entre os quais o Centro Paul Klee – inaugurado há poucos anos, foi desenhado pelo arquiteto italiano Renzo Piano e fica fora da cidade – veja abaixo.
Outros prédios de interesse cultural são o Museu Histórico, o Museu de Arte, o Museu Alpino da Suíça, o Museu de Comunicação, e a Casa Albert Einstein, uma homenagem ao físico alemão que morou e curtiu a cidade entre 1903 e 1905 – aliás, o centro histórico no tempo de Einstein não deveria ser muito diferente do que é hoje, conforme se vê no centro da foto, abaixo, porque foi tombado e preservado.
Embora a cidade tenha um ótimo sistema de transporte público, vale a pena perambular, caminhando a pé pelo Centro Histórico que você vê na foto acima. A cidade conservou seu ar medieval com chafarizes, fachadas de arenito, ruelas e ruas estreitas e torres históricas.
Você vai encontrar inúmeros lugares simpáticos para tomar um café – ou uma cerveja, ou um cálice de vinho suiço, alguns deles em porões com abóbodas como o Wein & Sein, abaixo– um charme suiço.
Se tiver coragem pode subir os mais de 100 metros da torre da catedral para ver a cidade lá de cima, que se aglutina em torno do rio Aare (abaixo) e respira a ar alpino de muitos parques, como o da Rosas, acima do Parque dos Ursos.
Passeios ao longo do rio podem render ótimas descobertas em termos de restaurantes onde você pode hamonizar  quiteutes locais, suiço-germânicos ou cozinha internacional com vinhos locais – como das denominações Chardonne, Saint-Saphorin, Epesses, Dézaley Grand Cru, Vevey-Montreaux ou Lutry que degustei em Lavaux (veja post http://invinoviajas.blogspot.com.br/2012/05/nos-vinhedos-de-lavaux-suica-um.html)– ou bordaleses e toscanos – um horror de programa!
Sobre a compra de relógios, chocolates, canivetes e moda feminina não vou falar porque não é necessário – voce já sabe que vai encontrar qualidade e pagar por isso. Seja qual for seu gosto, Berna vai te atender com simpatia e generosidade turistica, na cidade ou na região – que se chama Emmental – onde, aliás, você poderia passar dias e mais dias caminhando ou pedalando por montanhas, vales e beiras de lagos encantadores.

Este post é uma homenagem à minha filha Renata que me mostra caminhos e me acompanha com paciência em destinos europeus.

Fotos de Rogerio Ruschel e do serviço de turismo de Berna
(*) Rogerio Ruschel – é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade socioambiental.

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