Um brinde à Baronesa Philippine de Rothschild: atriz, mecenas e empresária, agora um mito no mundo do vinho.

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogerio Ruschel (*)
Prezado(a) leitor(a), o mundo do vinho está repleto de mulheres fantásticas e você vai conhecer agora um pouco sobre uma grande mulher que acabou de falecer. Pequena ainda, perdeu a mãe em um campo de concentração nazista, mas não perdeu a fé nas pessoas. Apesar de milionária, escolheu ser atriz de comédia em Paris por mais de 30 anos – num tempo em que isto não ajudava muito na imagem pessoal. Presidiu ativamente uma das maiores empresas vinícolas do planeta, mas sempre encontrava tempo para ajudar artistas. E estava sempre sorrindo – sempre. Esta foi a Baronesa Philippine de Rothschild.
Pois a Baronesa agora vai descansar. Falecida dia 22 de Agosto de 2014 aos 80 anos, a ex-presidente da Baron Philippe de Rothschild SA. foi enterrada nos jardins do seu Château Mouton Rothschild Bordeaux, em uma capela rústica denominada “Salle des Vendengeurs,” na presença do marido Jean-Pierre de Beaumarchais; de seus três filhos, Camille, Philippe eJulien; seus 10 netose mais de 1.200 pessoas entre personalidades do vinho, dapolítica, da moda e das artes do mundo inteiro. 
A imprensa lembrou sua inteligência, criatividade, o calor, o perfeccionismo e a alegria com que encarava todos os desafios e aspectos da vida. A filha Camille tranquilizouos convidados dizendo que a família estava serena e confortada e seu irmão Philippe garantiu quea empresa sediada em Pauillac (fotos abaixo) estava em boas mãos e que ele estava determinado a honrar o legado de mamãe, um negócio próspero com produtos respeitados e admiradores em todo o mundo.
Complexa, visionária e obstinada, a Baronesa Philippine de Rothschild foi presidente do Conselho de Administração e acionista majoritáriada empresa familiar Baron Philippe de Rothschild e uma figura monumental no mundo do vinho.
À frente da empresa, Philippine ajudou a inovar todas as áreas, incluindo a criação de uma segunda linha de vinhosalém dos Grand Crus e da badalada marca Château Mouton Rothschild. Foi iniciativa dela produzir vinhos na Califórnia (Opus One, foto abaixo) e no Chile (Almaviva) por meio de parcerias com sócios locais.
Ela também foi, desde 1980, a responsável por selecionar os rótulos dos produtos Chateau Mouton Rothschild, uma tradição que desde 1945 teve rótulos desenvolvidos por artistas como Braque, Dali, Picasso, Kandinski, Chagall, Bacon, Tàpies, Miró, Andy Warhol e Koos- veja alguns destes rótulos nas fotos abaixo. Sempre apoiou ou financiou as artes como mecenas e foi grande incentivadora da exposição itinerante “Mouton Rothschild.: arte e etiqueta”.
E foi um exemplo na vida privada como filha, esposa e mãe. Filha única, Philippine perdeu a mãe que foi deportada para um campo de concentração em Ravensbrück e morreu em 1945. Casou com o ator Jacques Sereys, com quem teve dois filhos, e depois com o acadêmicoe escritor Jean-Pierre de Beaumarchais, com quem teve o terceiro filho, Julien.
Teve longa carreira como atriz de teatro de comédia na França entre os anos 50-70 sobo nome artístico Philippine Pascal, que abandonou para assumir o lugar de seu pai na empresa, o Baron Philippe de Rothschild, quando este morreu em 1988.
Um brinde a esta grande mulher e empresária que nunca optou pelo mais fácil.
(*) Rogerio Ruschel é enófilo, jornalista e já teve o prazer de  beber um Gran Cru Château Mouton Rothschild
 

 

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