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Por Rogerio Ruschel
Entrevista exclusiva de Janice Prado, Diretora de Degustação e José Fazio, Vice-presidente da Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (SBAV-SP) sobre os 46 anos comemorados em julho de 2026.
A SBAV-SP mantém um blogue com muitos conteúdos sobre terroirs e castas, degustações e uma agenda de cursos, eventos e viagens. A mensalidade é de R$ 130,00 e dá direito a dois participantes; acesse o site em https://www.sbav-sp.com.br/institucional
In Vino Viajas – Faça um pequeno resumo da Confraria, principais números, qual a Missão, quantos confrades atualmente?
SBAV-SP – A Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho – SBAV-SP foi fundada em 11 de julho de 1980, pelo saudoso Carlos Cabral, e um grupo de amigos. Eles viam o vinho como cultura, como forma de união e com o tempo nos tornamos umas das entidades mais tradicionais dedicadas à cultura do vinho no Brasil. Somos um espaço de convivência, aprendizado e divulgação da cultura vitivinícola, aproximando consumidores, profissionais, produtores e pessoas que simplesmente têm interesse em conhecer melhor o mundo do vinho.
Atualmente, contamos com cerca de 50 associados pagantes, sendo cerca de 100 o número de confrades – tendo em vista que a sociedade dá direito ao casal participar. Realizamos em torno de 50 atividades por ano, entre degustações, cursos, palestras, jantares e outros encontros.
Nossa missão é promover a cultura do vinho por meio do conhecimento, da degustação e da convivência.
In Vino Viajas – Quais critérios vocês utilizam para escolher os vinhos de cada degustação e como equilibram rótulos clássicos e novidades, nacionais e importados?
SBAV-SP – A escolha dos vinhos procura sempre ter um propósito. Não se trata simplesmente de selecionar bons rótulos, mas de construir uma experiência que permita ao participante aprender alguma coisa ao longo da degustação.
Buscamos equilibrar diferentes estilos, regiões, uvas e métodos de produção, alternando vinhos clássicos e consagrados com novidades e projetos que merecem ser conhecidos. Também procuramos valorizar cada vez mais os vinhos brasileiros, sem deixar de apresentar aos associados referências importantes de outras regiões produtoras do mundo.
Outro critério importante é a diversidade. Uma boa degustação pode apresentar desde um grande clássico até um vinho pouco conhecido, desde que exista uma história, uma técnica ou uma característica que justifique sua presença naquela seleção. Nossas degustação são focadas em conteúdo, no aprendizado.
In Vino Viajas – Quais são as tradições, rituais de iniciação ou regras mais importantes que mantêm a identidade do grupo viva?
SBAV-SP – Mais do que rituais formais, a principal tradição da SBAV-SP é a própria convivência em torno do vinho. A degustação compartilhada, o respeito pelo vinho e por seus produtores e a troca de conhecimento entre os participantes fazem parte da nossa identidade.
Existe também uma valorização muito grande da história da entidade e da tradição de degustar vinhos de maneira consciente e curiosa. Procuramos manter aquilo que é essencial em uma confraria tradicional: reunir pessoas com um interesse comum, sentar à mesa, conversar, provar, comparar impressões e aprender umas com as outras.
Acreditamos que uma confraria precisa preservar sua história sem ficar presa ao passado.
In Vino Viajas – De que forma a confraria contribui para a evolução do paladar e do conhecimento técnico de seus membros? Como isso é comunicado e divulgado?
SBAV-SP – Existem 2 formas de aprender. Uma é estudar e a outra é a litragem com conteúdo e é nisso que acreditamos para desenvolver o nosso paladar. Quanto mais o associado experimenta diferentes uvas, regiões, estilos e safras, maior se torna sua capacidade de identificar aromas, sabores, texturas e diferenças de terroir e de elaboração.
Mas não queremos transformar o vinho em uma prova. O conhecimento técnico é importante, mas deve servir para ampliar o prazer, e não para intimidar quem está começando. Por isso, nossas degustações são acompanhadas de informações sobre os vinhos, as regiões, os produtores e as técnicas de elaboração. Também promovemos cursos, palestras e atividades específicas para quem deseja aprofundar o conhecimento.
A comunicação acontece principalmente por meio de nossos canais digitais, site, redes sociais, e-mail, nosso grupo no WhatsApp e, principalmente, pelo contato direto com os associados durante os eventos semanais.
In Vino Viajas – Como você enxerga o papel das confrarias hoje diante das novas mídias e do perfil dos novos consumidores de vinho?
SBAV-SP – As novas mídias mudaram completamente a maneira como as pessoas descobrem e consomem informação sobre vinho. Hoje qualquer pessoa pode ter acesso, em poucos minutos, a informações sobre uma região, uma uva ou um produtor que antes exigiriam anos de estudo.
Isso é muito positivo, mas também trouxe um excesso de informação. Nesse cenário, acredito que as confrarias têm um papel ainda mais importante: oferecer curadoria, experiência e convivência. Uma rede social pode mostrar uma garrafa bonita, mas não consegue substituir uma mesa com pessoas conversando sobre o que estão sentindo na taça. A confraria cria um ambiente em que é possível experimentar, questionar, discordar e aprender.
In Vino Viajas – Quantas confrarias de vinho existem atualmente no Brasil? Quantas de fato funcionam regularmente?
SBAV-SP – Não temos esse dado. Sabemos que existem muitas confrarias espalhadas pelo país, algumas com décadas de história e outras bastante recentes.
Também é importante diferenciar uma confraria formalizada de um grupo informal de amigos que se reúne regularmente para degustar vinhos. Ambos podem ser considerados confrarias na prática, mas são realidades bastante diferentes do ponto de vista institucional.