Brasil tem 1.538 fabricantes e 11.131 marcas de cachaça, mas a produção caiu 15,77% em 2025

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Por Rogerio Ruschel

A cachaça é um dos produtos brasileiros que tem Indicação Geográfica: desde 2001 as palavras “cachaça” e “cachaça do Brasil” são patrimônios coletivos do Brasil, inclusive internacionalmente. Como produto popular concorre com aguardiente antioqueño da Colômbia, Equador e Peru, o clairin (do Haiti), a bagaceira de Portugal, a grappa da Italia e a Orujo (Espanha) feitas de uva, o Pisco (Peru e Chile), entre outros.

A cachaça brasileira já conquistou algum prestigio em bares estrangeiros e com o Acordo Mercosul com a União Europeia tem potencial para crescer.

Pois foi o que aconteceu: Brasil encerrou 2025 com 1.538 fabricantes de cachaça registrados, 272 a mais do que em 2024, mas essa expansão empresarial não se traduziu em um maior volume declarado. A produção caiu 15,77% e ficou em 234,48 milhões de litros, frente aos cerca de 278,4 milhões do exercício anterior. A diferença gira em torno de 43,9 milhões de litros.  Os dados constam no Anuário da Cachaça 2026 do Ministério da Agricultura do Brasil (MAPA), divulgado em 31 de julho.

O balanço mostra uma evolução desigual do setor: aumentam as empresas, os produtos, as marcas e os municípios produtores, enquanto cai a quantidade produzida.  Além do aumento de 21,5% no número de fabricantes, o Brasil registrou 8.379 produtos de cachaça, 16% a mais do que no ano anterior. Também contabilizou 11.131 marcas, com um avanço de 16,8%, e 844 municípios produtores, um aumento de 14,8%.

Esses dados apontam para uma maior formalização e capilaridade territorial da atividade.  A queda do volume total implica também uma redução da produção média declarada por estabelecimento. Com 1.538 fabricantes e 234,48 milhões de litros produzidos em 2025, a média por operador fica abaixo da registrada em 2024, quando havia menos empresas e mais litros declarados.

O relatório oficial também registra uma melhora nas vendas para o exterior. O Brasil exportou, em 2025, um total de 7,96 milhões de litros de cachaça, 19,4% a mais do que em 2024. Em valor, as exportações atingiram 17,07 milhões de dólares, um aumento de 17,4%. Com base nessas porcentagens, o volume enviado para fora do país teria aumentado cerca de 1,29 milhão de litros em relação aos aproximadamente 6,67 milhões de 2024. A receita externa teria crescido cerca de 2,53 milhões de dólares frente aos aproximadamente 14,54 milhões do ano anterior.  Esse duplo avanço permite uma leitura adicional: a receita média por litro exportado caiu ligeiramente.

O valor unitário passou de cerca de 2,18 dólares por litro em 2024 para aproximadamente 2,14 dólares em 2025, o que representa uma redução próxima a 1,7%. Essa variação indica que o volume exportado cresceu em ritmo mais acelerado do que a receita total, embora essa média englobe destinos, formatos e tipos de produto distintos.  O Ministério da Agricultura aponta, ainda, que a cachaça brasileira chegou a 76 destinos em 2025, igualando o recorde da série iniciada em 2011. Os Estados Unidos concentraram cerca de 24% do valor exportado, enquanto o Paraguai ocupou a primeira posição em volume.

A combinação de menor produção interna e maiores vendas externas apresenta um cenário complexo para o mercado brasileiro de cachaça.  Por um lado, o setor amplia o número de produtores registrados e expande sua presença territorial e comercial. Por outro, o volume declarado recua significativamente no mesmo período em que as exportações ganham relevância.

Fontes: MAPA e revista digital Vinetur, Espanha

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