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Por: Vinetur, Espanha, editado por Rogerio Ruschel
O consumo de vinho no Brasil atingiu em 2025 o maior nível já registrado, com 4,4 milhões de hectolitros, segundo dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV). O número representa um aumento de 41,9% em relação ao ano anterior e coloca o país entre os mercados que mais cresceram em um momento em que o consumo mundial recuou 2,7%.
O aumento não se limitou à demanda. A área de vinhedos no Brasil chegou a 91 mil hectares, um avanço de 9,6% em relação a 2024 e o quinto ano consecutivo de expansão. A produção nacional somou 2,8 milhões de hectolitros, com alta de 80,6% sobre o volume muito baixo do exercício anterior.
O setor também movimentou mais dinheiro. Um estudo da Ideal BI Consulting calcula que o mercado brasileiro de vinhos fechou 2025 com faturamento de R$ 21,1 bilhões, cerca de 10% acima do registrado um ano antes. O dado reflete uma mudança no perfil do consumidor, que busca vinhos com maior valor agregado, origem definida e uma relação mais direta com a cultura do produto.
Esse movimento começa a abrir espaço para os vinhos brasileiros fora do país, sobretudo em segmentos premium da Europa. Uma das iniciativas é o Vin du Brésil, projeto criado para levar rótulos brasileiros ao mercado europeu por meio de degustações, ações comerciais e trabalho de imagem.
A proposta reúne o chef francês Benoit Mathurin, o jornalista Xavier Vankerrebrouck, o empresário italiano Giovanni Montoneri e o brasileiro Guilherme França, da Intrust Associates. O primeiro lote inclui 12 rótulos de seis vinícolas brasileiras e é vendido na França entre 15 e 50 euros por garrafa.
Vankerrebrouck explica que a aposta não é competir em volume, mas posicionar esses vinhos em uma faixa premium. “Na França, o vinho é uma linguagem cultural. Quando apresentamos os vinhos brasileiros, não falamos apenas de qualidade, mas de identidade, origem e emoção”, afirma.
A primeira apresentação do projeto ocorreu em uma ação inspirada no histórico Julgamento de Paris e reuniu empresários, apreciadores de vinho e formadores de opinião europeus. A seleção destacou características próprias da vitivinicultura brasileira, como o uso de leveduras indígenas, técnicas de poda invertida, terroirs distintos e barricas brasileiras.
Nesta fase participam seis vinícolas: Bárbara Eliodora e Estrada Real, de Minas Gerais; e ArteViva, La Grande Bellezza, Manus e Bebber, todas do Rio Grande do Sul. A previsão é incluir mais nomes nos próximos anos.
França afirma que a meta é chegar a 15 vinícolas antes do fim de 2026. O objetivo é ampliar a variedade de origens e estilos apresentados fora do país.
Montoneri sustenta que o principal valor desses vinhos está em seu caráter próprio e originalidade. “São vinhos expressivos, versáteis e ainda pouco conhecidos na Europa. O Vin du Brésil nasce para mudar essa percepção e abrir espaço para o Brasil como produtor de vinhos de identidade”, diz.
A Intrust Associates trabalha para que o projeto tenha continuidade como uma plataforma estável de posicionamento do vinho brasileiro no exterior. Segundo França, a ideia é construir reputação para o setor além do envio de garrafas: “Estamos construindo pontes entre produtores brasileiros e consumidores internacionais, respeitando a origem e valorizando a excelência”.