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Além de mais importante, Bordeaux é a região vinícola mais complexa do mundo. Na verdade os produtores tiveram vários séculos para estudar o terroir (isto é, o conjunto de condições de produção como as características de cada uva, o solo, o clima, a insolação, o regime hídrico, a humidade do ar, etc.), aperfeiçoar os métodos de produção e sofisticar as condições de classificação.
Saint-Émillion é um vilarejo medieval de origem romana com menos de 2.000 habitantes, cerca de 40 Km de Bordeaux, muito bonito, altamente turístico.
A cidadezinha é cercada por parreirais de uvas Merlot e Cabernet Franc (especialmente) descem por encostas ingremes (as chamadas côtes), em direção a planicie onde fica Pomerol.
O curioso é que o principal restaurante da cidade, ligado a um hotel, fica no nível do solo, mas na verdade ele está em cima do telhado da igreja construida no sub-solo e você pode almoçar ao lado de pedaços da igeja que estão fora do solo – veja abaixo o terraço onde o restaurante está e na outra foto detalhes da “metade superior” da igreja, ao nivel das mesas do restaurante.
De maneira geral o vinho Saint-Émillion utiliza uvas Merlot (principalmente) as Cabernet Franc e Sauvignon, além de um pouquinho de Petit Verdot e Malbec/Pressac.
É menos seco e mais “redondo” do que os Médoc, e exige menos tempo para amadurecer – uns 4 a 8 anos para a maioria dos rótulos. São prazeirosos de beber porque são mais leves e relativamente mais acessíveis do que outras denominações Bodeaux. Eu pessoalmente prefiro vinhos Saint-Émillion a Médoc.
A mais recente revisão foi feita em 2006, muitos produtores não concordaram, o assunto acabou na justiça. Dois anos depois foi promulgada uma nova classificação, selecionando dezoito Premiers Grands Crus Classés e sessenta e quatro Grands Crus Classés. Mas o termo Grand Cru Classé em Saint-Emilion na prática não significa o mesmo que se imaginaria de um Médoc.
Para horror dos produtores de Saint Emillion, muitos especialistas dizem que entre esses esses sessenta e quatro châteaux classificados em 2012 talvez só uma dúzia faça jus ao título, entre eles os produtos dos châteaux Berliquet, Pavie Decesse, Fonroque, Fombrauge, Clos de l´Oratoire, Couvent des Jacobins, La Dominique, Grand Mayne, La Serre e Clos des Jacobins.
Dois dos mais caros vinhos da região de Bordeaux, os Châteu Petrus e Le Pin, são da região da denominação Pomerol (veja no mapa, acima), mas continuam sem classificação oficial. Isto mostra que na verdade a classificação official ajuda, mas não é imperativa para o sucesso de um vinho. Veja o preço das várias safras dos Petrus e Margaux na tabela abaixo – um Petrus 1945 atinge o preço de 10 mil Euros em Bordeaux, imagine aqui!
Não posso beber um vinho com esse preço (ainda…), mas posso beber um “parente” dele e dizer que vi onde ele nasceu: numa maravilhosa região chamada Saint-Émillion. E falei com os “padrinhos” dele na Maison du Vin – veja foto abaixo.(*) Rogerio Ruschel – rruschel@uol.com.br– é jornalista de turismo e consultor especializado em sustentabilidade; foi a Saint-Émillion por conta própria, e por isso não faz propaganda disfarçada de rótulos e escreve com independência.




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ALÔ ROGÉRIO:
APESAR DO CONHECIMENTO ÓBVIO QUE VOCÊ DEMONSTRA NA SUA POSTAGEM, VOCÊ COMETE UM ÊRRO COMUM A MUITA GENTE QUE NÃO É INICIADA EM GEOGRAFIA. O RIO “GIRONDE” NÃO EXISTE. PONTO. A GIRONDE É UM ESTUÁRIO, POR SINAL O MAIOR DA EUROPA, ESTUÁRIO ESSE COMUM A DOIS “FLEUVES”, O DORDOGNE, QUE É UM RIO FRANCÊS POR INTEIRO, E O GARONNE, UM RIO INTERNACIONAL QUE NASCE EM TERRAS ESPANHOLAS, OK. A GIRONDE TAMBÉM É UM DEPARTAMENTO FRANCES, QUE LE O NUMERO 33, OK?
FLEUVE+ RIO PRINCIPAL, QUE TEM ESTUÁRIO
RIVIÈRE- RIO AFLUENTE
AO SEU INTEIRO DISPOR
ALVARO DE CAMPOS MARTINS
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Obrigado, corrigi. Abraços, Rogerio