Cricova, na Moldávia, que tem a maior adega do mundo com 120 Km, é a Cidade Europeia do Vinho Dioníso 2020

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Por Rogerio Ruschel

Meu caro leitor ou leitora, a Moldávia, um pequeno país que ficou independente da União Soviética em 1991, mas que tem uma história de quase 5.000 anos sempre ligada ao vinho, foi declarada pela Rede Europeia de Cidades do Vinho – Recevin como Cidade Europeia do Vinho Dioníso 2020. O Presidente da Recevin, o português José Calixto – ele mesmo prefeito de uma cidade que já foi Cidade Europeia do Vinho, Reguengos de Monsdaraz, 2015 no Alentejo – esteve lá não só para entregar o Diploma oficial, mas também para comemorar o fato (foto acima). Já fiz uma degustação de vinhos da Moldávia em Portugal, liderada pelo meu amigo moldavo Simon Croituru, e posso garantir que merecem a fama que tem.

A Moldávia tem 4,6 milhões de habitantes; cerca de 25% de seu PIB é baseado no vinho e produzido em duas regiões vinicolas importantes: Cricova e Milestii Mici que discutem quem tem as maiores adegas do mundo. Pois é, e parece que é Cricova, que tem uma adega com mais de 120 Km de extensão. Isso mesmo, 120 quilometros. As “minas de Cricova” ficam perto da capital Chisinau e suas entranhas de calcáreo começaram a ser escavadas no século XV com o objetivo de fornecer calcáreo e cal para a construção de Chisinau, uma cidade bem moderna é que foram ocupadas por vinhateiros e se tornaram uma importante atração turística.

As adegas de Cricova tem até 7,5 metros de largura e 3,5 metros de altura e albergam cerca de 1,3 milhões de garrafas com 653 marcas diferentes. Nelas podem circular automóveis por ruas que são batizadas com nomes de uvas, como Praça Cabernet, corredor Pinot Noir, ruas Chardonnay, Sauvignon, Feteasca, praça Aligote ou avenida Muscat.

A Coleção Nacional de Vinhos de Cricova, que fica dentro da adega, é famosa e respeitada: as garrafas mais antigas datam de 1902 e entre elas estão algumas preciosidades que pertenceram ao general nazista Hermann Goring. Durante os períodos de guerras as minas da Cricova foram utilizadas como esconderijo de combatentes ou para estocagem de armamento – o que, aliás, também aconteceu na França durante a invasão nazista da segunda grande Guerra.

Milhares de visitantes visitam anualmente a Coleção Nacional e a adega desde que começou a ser usada para guardar vinhos nos anos 1950; registros mostram que os presidentes da China (Zian Ze Min), da França (Jacques Chirac), da Polonia (Alexander Kwasniewski), da Romania (Lon Iliescu) e da Russia (Vladimir Putin, que comemorou seus 50 anos lá dentro), além de russos como Leonid Brejnev e Mijail Gorbachov costumavam ir lá para degustar os vinhos. Aliás, moradores dizem que Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar para o espaço e voltar para o Planeta Terra se perdeu em Cricova durante dois dias em 1966 e quase não voltou…

Pois o Presidente da Recevin José Calixto fez a visita acompanhado pelo Presidente da Câmara Municipal de Cricova, Valentin Gutan, pelo Diretor Geral das Caves de Cricova, Constantin Bilici, e pelo Diretor de Cooperação Bilateral do Ministério dos Negócios Estrangeiros Moldovo, Igor Bodiu. Cricova deve começar a divulgar seu novo título em breve. Visitei caves subterrâneas em Saint Emillion – Bordeaux, no Uruguai e em Portugal. Espero um dia visitar estas caves lindas e bem cuidadas da Moldávia. Brindo a isso.

Saiba mais aqui: http://www.invinoviajas.com/2013/12/a-adega-da-moldavia-que-tem-100-km-13/

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