Brasil bate recorde de importação de vinhos em 2024 e as mulheres ultrapassam os homens

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Por Rogerio Ruschel, com informações de Vinetur.

A revista digital Vinetur, da qual sou colunista sobre vinhos do Brasil desde 2015, informa que em 2024 o mercado brasileiro apresentou um boom de vinhos importados, com o Chile como principal fornecedor; que as compras estão concentradas em supermercados que as mulheres ultrapassaram os homens no consumo e que vinhos brancos, rosés e leves continuam crescendo na preferência. E o Brasil continua sendo um mercado altamente desejável para exportadores. Veja porque.

O Brasil continua sendo um dos maiores mercados de vinhos da América Latina, embora os dados variem dependendo da fonte e da definição utilizada. Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), o consumo de vinho no Brasil foi de 3,1 milhões de hectolitros em 2024, o equivalente a aproximadamente 310 milhões de litros. Esse número representa uma queda em relação aos anos anteriores e está abaixo da média recente. Mas a Ideal BI/Ideal Consulting relata que o mercado de “vinhos e espumantes” atingiu o valor de R$ 19,35 bilhões em 2024, com um volume comercializado de 455,8 milhões de litros, incluindo produtos nacionais e importados. Esses números mostram crescimento em relação a 2023 e refletem a forte concentração do valor de mercado em vinhos importados.

Em relação às importações, o Brasil registrou um novo recorde histórico de volume em 2024, com 17,7 milhões de caixas de 9 litros (aproximadamente 159 milhões de litros) e um valor de cerca de US$ 518 milhões FOB. Os principais países fornecedores são Chile, Argentina, Portugal, França e Itália. O Chile lidera tanto em volume quanto em valor, com uma participação de quase 37% do valor total importado em 2023. A França apresenta um preço médio muito mais elevado (cerca de US$ 8 por litro), indicando uma forte presença no segmento premium.

O sistema oficial Comex Stat/MDIC fornece dados detalhados sobre o comércio exterior. Para o código HS/NCM 2204 (vinhos de uvas frescas), os dados confirmam a posição dominante do Chile e a importância relativa da Argentina e de Portugal. O preço médio do vinho importado subiu cerca de 15% entre 2018 e 2024 (de R$ 47,90 para R$ 55,30), mas esse aumento não compensou totalmente a inflação ou a desvalorização do real, que reduziu as margens de lucro de importadores e distribuidores.

O principal canal de vendas de vinho no Brasil é o supermercado, responsável por mais de 70% das vendas. Isso significa que as promoções e as políticas de preços têm um impacto direto no comportamento do consumidor e no desempenho do setor. Além disso, existe uma diferença significativa entre a oferta (venda para o consumidor final) e as vendas efetivas ao consumidor final (venda para o consumidor final), o que pode levar ao acúmulo de estoques caso as vendas não acompanhem o crescimento da oferta.

Mulheres já são as maiores consumidoras

Em relação ao perfil do consumidor brasileiro, observam-se duas tendências recentes: uma crescente preferência por vinhos brancos e rosés em detrimento dos tintos (a participação dos vinhos brancos subiu de 20% para 26% entre 2017 e 2024; a dos vinhos rosés aumentou de 4% para 8%, enquanto a dos vinhos tintos caiu de 76% para 67%) e uma mudança demográfica significativa. As mulheres representavam 53% dos consumidores em 2024, seis pontos percentuais a mais do que em 2019. A faixa etária de 55 a 64 anos também cresceu, atingindo 19% do total.

Para os próximos anos, existem diversos cenários quanto à evolução do mercado brasileiro de vinhos até 2035. Todos eles partem do pressuposto de que o Brasil poderá continuar aumentando suas importações devido à maior pressão internacional de exportadores como o Chile e países europeus, caso outros mercados importantes percam força. No entanto, há incerteza quanto a se esse aumento se traduzirá de fato em maior consumo per capita ou simplesmente em uma rotatividade mais rápida dos estoques

Em resumo, o Brasil continua sendo um destino prioritário para exportadores internacionais, graças ao seu tamanho relativamente pequeno na América Latina e ao seu potencial para absorver volumes maiores e aumentar o valor médio por garrafa vendida. No entanto, seu desempenho futuro dependerá de fatores internos e externos relacionados a preços internacionais, políticas comerciais e mudanças sociais no país.

Mas continuamos consumindo muito pouco, abaixo de 2 litros por pessoa ao ano.

Foto de Rogerio Ruschel com vinhos, gerada por IA

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