Produtores de espumantes de Garibaldi se unem para enfrentar as mudanças no mercado mundial do vinho

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Por Rogerio Ruschel

A Associação de Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG ) foi criada em 2025 e amplia a força do movimento que busca tornar o espumante local um patrimônio histórico, cultural e econômico do município – e mais forte para enfrentar o mercado.

Prezado leitor ou leitora, em minhas andanças por aí, como jornalista da cultura do vinho, tenho ouvido muitas referências positivas sobre os espumantes brasileiros. Recentemente me foi pedido para fazer uma Master Class sobre isso em uma Feira de vinhos na Europa – e específicamente sobre espumantes.

Pois em julho de 2025 um grupo de produtores de espumantes da cidade de Garibaldi, na serra gaúcha, formalizou um passo histórico rumo ao futuro: foi fundada a Associação de Produtores de Espumantes de Garibaldi (APEG). A APEG foi o resultado de uma mobilização de empresas e pessoas decididas a valorizar e tornar o espumante produzidos em Garibaldi um patrimônio histórico, cultural e econômico do município – e no futuro compatível com uma Indicação Geográfica. A Vinícola Peterlongo foi o local escolhido para o evento de apresentação da APEG para relembrar o local onde foi elaborado o primeiro espumante do Brasil, em 1913. Quer dizer: Garibaldi é o berço do espumante brasileiro.

A proposta vem respaldada por números que reforçam a excelência da produção dos espumantes locais: 1.162 premiações conquistadas por rótulos brasileiros em concursos internacionais foram atribuídas a espumantes de Garibaldi. No Concurso do Espumante Brasileiro, promovido pela Associação Brasileira de Enologia que avalia exclusivamente espumantes nacionais, 386 das 2.359 medalhas já conferidas têm origem em Garibaldi. As 40 vinícolas existentes na cidade hoje, produzem anualmente 12 milhões de garrafas de espumantes. Esses dados evidenciam a força e a consistência da cidade na elaboração de espumantes que se destacam no Brasil e no mundo.

A ideia de criar a APEG começou a germinar ainda em dezembro de 2023, quando os produtores locais realizaram a primeira reunião com o objetivo de avaliar o alinhamento do setor em torno de um projeto coletivo voltado à valorização do espumante de Garibaldi como produto típico, cultural e passível de certificação por Indicação Geográfica (IG). Apesar das dificuldades impostas pelas intensas chuvas que afetaram a região no primeiro semestre de 2024, o grupo retomou com força o movimento após a safra, determinado a transformar o projeto em realidade.

“A criação da APEG é um passo estratégico e necessário para que possamos caminhar juntos buscando a certificação do espumante de Garibaldi. Somos produtores que compartilham a mesma história, o mesmo território e os mesmos desafios. A associação surge para nos organizar como setor, promover a excelência do nosso produto e buscar, com legitimidade, o reconhecimento da Indicação Geográfica junto ao INPI”, afirma o enólogo Ricardo Morari, primeiro presidente da APEG, com mandato até 2027.

Na verdade a APEG também é uma ferramenta para enfrentar os desafios geopolíticos e de consumo dos vinhos no mundo. A APEG nasce para unir produtores de Garibaldi para enfrentar fatores como as sobretaxas e ações agressivas do Presidente Trump em relação a países e blocos de países, a finalização do Acordo do Mercosul com a União Européia, os impactos das mudanças climáticas que assolam todos os recantos do planeta, a preferência e valorização de produtos cada vez mais sustentáveis e a mudança de hábitos de consumo e comportamento dos consumidores.

Em breve vamos entrevistar o presidente da APEG, o enólogo Ricardo Morari, da Cooperativa Vinicola Garibaldi

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