Vinhos sem álcool estão modificando hábitos de consumo no mundo inteiro – e no Brasil?

Tempo de leitura: 3 minutos

Por Rogerio Ruschel.

Prezado leitor ou leitora, o consumo de bebidas não alcoólicas ou com baixo teor alcoólico (apelidados de NoLo) está aumentando em diversos países, especialmente na Europa, um fenômeno que reflete uma tendência internacional em direção a estilos de vida mais saudáveis ​​e um consumo de álcool mais moderado. Meus leitores do In Vino Viajas estão sendo regularmente bem informados e os leitores de Vinetur encontram quase que diáriamente notícias sobre o assunto.

A Geração Z, formada pelas pessoas nascidas entre 1995 e 2010 (com 15 a 30 anos), já nativos digitais, que valorizam a diversidade, a inclusão e o propósito em produtos e empresas e são ativistas sociais engajados nas redes online, está moderando o consumo de álcool. Mas estes consumidores da Geração Z não querem apenas suco de uvas e buscam efeitos como relaxamento ou energizamento em alternativas que contenham CBD e nootrópicos, aquelas substâncias naturais ou sintéticas que visam melhorar funções cognitivas como foco, memória, aprendizado, criatividade e motivação.

De acordo com um estudo estratégico da IWSR sobre bebidas não alcoólicas/com baixo teor alcoólico (NoLo) as previsões indicam que o volume de produtos não alcoólicos crescerá 36% até 2029. Vinhos NoLo, maior sustentabilidade no ciclo de produção e consumo e enoturismo são as grande mega-tendências na indústria vitivinícola mundial. E só para registrar, os desafios são a manutenção da base de consumo para substituir consumidores idosos, a manutenção de preços com margens porque as pessoas estão empobrecendo no mundo inteiro e as mudanças climáticas. Na verdade os vinhos NoLo tendem a consumir mais energia porque depois de “normalmente prontos” fermentados e já alcoolizados, é necessário retirar o álcool, um processo a mais que consome mais energia.

O movimento de consumo de bebidas sem álcool ou com pouco álcool também está presente em outras bebidas fermentadas como a cerveja. Os índices de crescimento são reveladores:

  • No Reino Unido 20% dos consumidores afirma que procura produtos NoLo ao menos de forma ocasional;
  • O crescimento de demanda por bebidas não alcoólicas e funcionais entre os jovens nos mercados dos EUA e do Canadá alcançou 36% de crescimento em 2025;
  • Para atender a demanda dos produtores, o governo italiano aprovou recentemente a produção de vinhos NoLo na Itália nas próprias dependências das vinícolas, porque anteriormente, certas etapas eram realizadas por terceiros;
  • A União Europeia publicou em 13 de janeiro uma legislação que estabelece o teor alcoólico mínimo para os cavas DOP em 8,5%;
  • Um dos principais produtores da França (Castel-Vins) vai investir € 10 milhões em uma fábrica nova em La Chapelle-Heulin exclusivamente para produzir vinhos sem álcool, em resposta à mudança nos padrões de consumo, porque 16% dos franceses já consomem vinho sem álcool;·
  • A Solos, empresa que desenvolve tecnologias e ingredientes naturais para vitivinicultura, inaugurou em Valencia, Espanha, a maior fábrica de vinhos premium NoLo do sul da Europa, que permitirá a produção de até 16 milhões de litros anualmente
  • Os chineses vem aumentando o consume de vinhos sem álcool e de vinhos quentes – embora não tenhamos dados mais acurados. Mas como se sabe, na China tudo é gigantesco…

Tenho acompanhado este assunto dos vinhos NoLo e aqui no Brasil produtores como Garibaldi, Aurora, Monte Paschoal, Família Valduga, Luis Argenta e Salton já estão presentes no mercado, basicamente com espumantes e frisantes.

A Salton – a maior produtora brasileira de espumantes e líder no segmento – me enviou duas garrafas do Salton Zero (0,0%) e compartilhei a experiência com amigos, para verificar a percepção (foto acima). Abrimos a Moscato, de or amarelo-palha e muito efervescente, de fato bem refrescante, com aromas frutados e adocicado como a moscatel. Me parece uma escolha certa para todos os momentos, sem restrições porque todos gostaram e uma das pessoas do grupo não consome álcool e apreciou aromas e sabores.

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