COP30 terá vinho oficial feito de açaí da floresta amazônica

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Por Rogerio Ruschel

O açaí, aquela deliciosa frutinha roxa de uma palmeira da Amazônia, consumida há centenas de anos como alimento popular dos povos da floresta tropical ganhou estudos técnicos, superou preconceitos e hoje é um produto de prestígio (e preço) global, sendo exportado para dezenas de países. Chamado também de “petróleo roxo da Amazônia” movimenta hoje mais de vinte bilhões de dólares por ano, mas 90% da riqueza produzida pelo acai não fica no Brasil.

Pois em 2023 o açaí começou a ser exportado fermentado, como um vinho. E esta semana o Presidente da República, Lula da Silva, o escolheu como bebida oficial da COP30, que vai ser oferecido para os visitantes durante a COP30 em Belém do Pará.

João Capibaribe, diretor da Empreendimento Flor da Samaúma, ex- senador e ex-governador do Amapá, um dos Estados da Amazônia brasileira, produz açai há muitos anos na sua empresa Flor de Samaúma e desenvolveu um produto alcoólico com a fermentação da polpa. Uma avaliação sensorial comandada pela Embrapa Agroindústria Tropical, a gigantesca empresa de pesquisas agronômicas do governo brasileiro, surpreendeu bebedores de vinho que o confundiram com castas europeias e atingiu a aceitabilidade mínima para um possível lançamento, que é de 74%. Degustei duas formulações testadas pela Embrapa que me foram enviados pelo produtor. Gostei, parece mesmo um tempranillo.

Em uma entrevista o pesquisador Gustavo Adolfo Saavedra Pinto, da Embrapa, me disse que na composição mineral, a bebida apresentou semelhança com fermentados de uvas Chardonnay. Acrescentou que as propriedades sensoriais e físico-químicas da bebida de açaí são muito parecidas às dos vinhos tintos de uva; que a amostra apresentou aceitação sensorial de 74%, passando o nível exigido para ser lançado no mercado; que amostras apresentaram aroma de fruta e adstringência típica de vinhos secos e que a faixa de acidez do fermentado de açaí é a mesma dos vinhos feitos com as uvas Touriga Nacional, Tempranillo e Petit Verdot.

Ainda comparando com o vinho, o pesquisador informa que “ambas as bebidas contam com a presença de flavonoides, proantocianidinas e outros compostos fenólicos muito associados a suas ações como antioxidantes, anti-inflamatórias e vasodilatadoras. Estas ações já estão muito bem documentadas para o vinho, e por analogia podemos inferir que os fermentados de açaí possuam as mesmas características. Contudo, os fermentados de açaí ainda são uma novidade, e por isso ainda não passaram por avaliações científicas, que comprovem de forma inequívoca os efeitos. Mas re-afirmo, que por analogia, os mesmos efeitos devem estar presentes, pois as bebidas são muito similares.”

A ideia de fazer um “vinho de açaí” veio da lenda do Açai – de uma tribo da região onde hoje é Belém do Pará, do Cacique Itaki, que fermentou a fruta. O produtor João Capiberibe sentiu que a internacionalização do açaí fez com que a maior parte da agregação de valor não ficasse na região, então a idéia de fermentar a polpa é provar um conceito, que é o desenvolvimento de um fermentado equilibrado, mas que ao mesmo tempo seja capaz de desenvolver uma cadeia produtiva no Amapá capaz de fixar a agregação de valor no estado.

Como este fermentado alimentício não pode ser chamado de vinho (porque só fermentado de uvas tem esse nome), como vai ser chamado o novo produto? Ninguém sabe. Mas os visitantes da COP 30 certamente vão adorar o vinho da florestas tropical.

Saiba mais aqui: https://www.invinoviajas.com/vinho-de-acai-do-amapa/

Saiba mais sobre o açaí aqui: https://www.invinoviajas.com/uma-cidade-do-acre/

 

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