Mudanças climáticas provocam revisão de Indicações Geográficas de vinhos na França

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Por Rogerio Ruschel

O aquecimento global com temperaturas extremas como neste momento, está fazendo vítimas humanas, danificando cidades e territórios urbanos e prejudicando a economia como um todo, especialmente as atividades agrícolas, entre as quais a vitivinicultura europeia. Na França, onde é uma poderosa indústria ao lado da Itália e Espanha, as mudança climáticas estão provocando uma revisão da metodologia de classificação das Indicações Geográficas.

A França possui 386 AOPs (Denominações de Origem Protegidas) relacionadas ao vinho, abrangendo 505.000 hectares de vinhedos, uma área que representa 64% dos vinhedos da França e 41% da produção de vinho do país. Cada uma dessas denominações baseia-se em uma identidade distinta que reflete seu terroir e cultura e em regulamentações precisas sobre sua zona e métodos de produção.

Em cada uma dessas regiões as uvas são colhidas em parcelas selecionadas segundo critérios ambientais específicos e validadas por práticas históricas. O Instituto Nacional de Origem e Qualidade da França explica que os produtores e suas organizações coletivas podem solicitar uma revisão dessas áreas para adaptar-se aos impactos de mudanças climáticas – o que vem sendo feito desde 2025. Quando isso ocorre, o órgão realiza um levantamento do zoneamento atual para esclarecer questões relacionadas ao planejamento do uso do solo. Como o cenário está piorando, o Instituto Nacional de Origem e Qualidade da França implementou uma metodologia aplicável a todas as indicações geográficas francesas.

Embora a organização não detalhe todos os critérios técnicos nesta comunicação – obviamente para evitar a perda de percepção de valor dos vinhos franceses – ela ressalta que o método já está sendo aplicado. Para vinícolas e órgãos reguladores, tais ferramentas são de interesse, porque além de reorganizar critérios metodológicos, abrem caminho para uma avaliação mais consistente de como a sustentabilidade é mensurada no sistema de IGs da França.

Um exemplo diz respeito à AOP Côte Roannaise, uma denominação situada nas encostas do departamento do Loire e conhecida por seus vinhos tintos. Os produtores observaram que as mudanças climáticas elevaram o teor alcoólico de seus vinhos e reduziram a acidez. Também surgiram notas de sobrematuração, afastando o perfil do estilo fresco característico da denominação. Ou seja, tudo está sendo afetado.

Então, nos próximos anos os regulamentos das Indicações Geográficas vão se adaptar ao clima e os consumidores terão que se adaptar aos novos vinhos. Porque, obviamente, aromas e sabores tendem a se modificar.

Fonte: Vinetur, Espanha

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