Indicações Geográficas e o turismo rural em Minas Gerais

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Por Virgínia Castro

O estado de Minas Gerais, com 23 certificações, lidera no Brasil a mobilização por Indicações Geográficas concedidas pelo INPI que reconhecem a origem de produtos que são produzidos por aquele território, por um saber fazer exclusivo de um povo, de uma cultura e por situações climáticas como solo, temperatura e que faz com que os produtos sejam únicos.

Recentemente fiz um estudo sobre “Desafios e estratégias de turismo rural em territórios de indicações geográficas de Minas Gerais” através do programa de agentes locais de inovação promovido pelo Sebrae em Minas Gerais e o professor Rogerio Ruschel me convidou para fazer um resumo para os leitores do In Vino Viajas.

Estudamos 8 indicações geográficas do estado de Minas Gerais que são elas Matas de Minas o café, norte de Minas o mel de Aroeira, Canastra queijo artesanal, Rezende Costa artesanato em tear, Cerrado café, região de São Gotardo hortifrútis, Salinas cachaça e Serro queijo.

Cada uma dessas IG teve um agente local que trabalhou diretamente com os produtores no território. Ademais, o estado de Minas Gerais tem também um trabalho voltado para estratégias turísticas e existe uma regionalização do turismo no estado, mostrando a intenção do governo em promover os territórios e o desenvolvimento local através do turismo rural. A indicação geográfica e o turismo rural são intercambiáveis, uma vez que muitas vezes o produto da IG pode ser complementado com atividades de turismo. Por exemplo, o território do café pode receber turistas para fazer degustação e aprender sobre harmonizações, bem como também conhecer a região como cachoeiras, atrações turísticas, museus, parte histórica e fazendas.

Há o benefício de se ter uma sinergia no território também com as estratégias e ações voltadas para o turismo rural. Os resultados encontrados nesta pesquisa mostram que já existem algumas iniciativas ainda no estágio inicial para aliar o turismo rural com as indicações gegeográficas. Por exemplo, para a indicação geográfica cachaça de Salinas já existe o museu da cachaça e o festival mundial da cachaça. Ainda falta o museu apresentar também tudo o que é feito com a indicação geográfica e repaginar esse festival para atender mais turistas e não só os moradores da região, incrementando com visitas aos alambiques e experiências gastronômicas.

Na indicação geográfica do Cerrado o café já trabalha a rota do café do cerrado, porém precisa incrementar ainda mais a divulgação dos cafés especiais. Na região de São Gotardo onde são trabalhados os hortifrútis já existe a festa da cenoura e algumas feiras de negócio, porém não há rotas turísticas para visitação como por exemplo visita a lavoura, e dia da colheita.

Na região do Serro que produz o queijo, já existe a feira do queijo, porém precisa aprimorar mais a rota do queijo e até seria interessante construir o museu do queijo. Para o café das matas de Minas existe a formação de agentes de turismo, porém precisaria incrementar o dia de campo com visitas técnicas e visitas experienciais.

No norte de Minas com mel de Aroeira não é feita nenhuma atividade turística atualmente. Falta desenvolver essa rota turística, envolvendo a experiência com mel e as belezas naturais da região. Em Rezende Costa o trabalho artesanal que é feito com tear manual já existe no turismo de massa, no qual as pessoas vão comprar mercadorias para revender. Entretanto, é preciso fazer um trabalho mais especializado voltado para o turismo de experiência integrado com outras atrações turísticas regionais.

Como conclusão do trabalho notou-se que a Secretaria de Cultura e Turismo do estado de Minas Gerais já trabalha várias ações voltadas para o turismo, porém isso não está integrado estrategicamente com as IGs estudadas. Nesse trabalho o que se viu também foi que todos os territórios estudados têm potencial turístico, mas ainda falta organizar melhor as ações turísticas porque encontra-se desestruturado e desorganizado.

O turismo nessas regiões geralmente acontece de maneira orgânica e sem uma estrutura adequada e, às vezes, acontece ações de turismo desvinculadas da indicação geográfica, sendo que essa integração poderia render resultados mais promissores. Assim, as regiões estudadas possuem potencial de desenvolvimento turístico e pode ser integrado com outros serviços e negócios como hotéis, pousadas, restaurantes ,lojas especializadas, turismo rural, turismo de aventura e patrimônio cultural. Pode ser associado diversas atividades em conjunto com os produtos da IG.

Para tanto, os gestores locais assim como o Sebrae e a Secretaria de turismo de cada estado podem promover encontros, reuniões e debates de modo que as partes conheçam o trabalho feito nas indicações geográficas e integre essas ações com o que já é feito para o turismo. A união de forças poderá convergir em maior sinergia com resultados e ganhos mais efetivos para o turismo e para as indicações geográficas.

Se você está com vontade conhecer Minas Gerais não perca tempo e quando for visite as nossas indicações geográficas, deguste os nossos produtos como queijos e cafés e conheça todas as belezas naturais que temos a oferecer; você não irá se arrepender.

Virgínia Castro é doutora em administração pela Universidade de São Paulo USP.

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